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Francisco Trincão encontra a tranquilidade necessária no Sporting para voltar a brilhar

14 jul, 2022 - 10:30 • José Barata

Vítor Castanheira era adjunto de Abel Ferreira quando o internacional português foi promovido à equipa B do Sporting de Braga, com apenas 16 anos de idade, e recorda-o como um jogador com maturidade e qualidade acima da média. As características que o ajudaram a queimar etapas também o levaram ao Barcelona num mau momento, mas Castanheira acredita que Trincão tem tudo para se reencontrar no Sporting.

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Vítor Castanheira vê Francisco Trincão como o sucessor natural de Sarabia no Sporting e acredita que, dada a familiaridade que tem com Ruben Amorim, que pediu expressamente a sua contratação, tem tudo para ter sucesso em Alvalade e reabrir as portas da seleção nacional a tempo do Mundial do Qatar.

Vítor Castanheira foi adjunto de Abel Ferreira nas equipas B e principal do Sporting de Braga (e, depois, no PAOK e agora no Palmeiras). Em 2015/16, a equipa técnica promoveu Francisco Trincão, então de apenas 16 anos, diretamente dos sub-17 à equipa B, para ganhar experiência em contexto profissional.

Em entrevista à Renascença, Vítor Castanheira recorda um jovem avançado de qualidade evidente e maturidade acima da média, características que motivaram o salto para a II Liga, e analista o percurso apagado do mais recente reforço do Sporting no Barcelona (Espanha) e no Wolverhampton (Inglaterra).

O adjunto de Abel Ferreira acredita que o regresso a Portugal, para jogar no Sporting, é o passo certo para a carreira de Francisco Trincão. Sob a asa de Ruben Amorim, que o lançou na equipa principal do Braga, e com a missão de substituir Sarabia, o internacional português pode sonhar com um regresso à seleção.

Como recorda o percurso que Francisco Trincão fez entre os escalões de formação do Sporting de Braga e a equipa B?

Nós estávamos na equipa B, o Trincão estava com 16 anos nos sub-17 e era um jogador que já despontava na altura. E nós, comissão técnica, juntamente com o responsável da formação, o Hugo Vieira, decidimos que era a altura indicada para ele dar o passo seguinte, que era passar a trabalhar diariamente connosco, sabendo que continuaria a ter o espaço competitivo dele nos escalões mais baixos. Mas acreditávamos que naquele momento era o passo certo para ele poder começar a trabalhar com jogadores já com outra maturidade.

O que é que o diferenciou nessa altura?

Era um jogador que nós víamos que, para além da qualidade individual que tinha, já tinha uma maturidade de jogo acima da média para o escalão em que estava enquadrado. Por isso, decidimos trazê-lo [para a equipa B], porque já era diferenciado.

Terá ido demasiado cedo para um clube da dimensão do Barcelona?

Eu não diria assim. Se calhar, o “timing” é que não foi o correto, porque ele chega a um Barcelona que, em termos estruturais, também não passava por uma fase de estabilidade. Certamente não ajudou um jogador que chega novo a um clube daquela dimensão que ele tivesse a progressão natural e a estabilidade natural para depois poder singrar.

Um jogador como o Trincão ou com qualquer outro jogador jovem que chega a um clube da dimensão do Barcelona, é lógico que precisa de toda uma estabilidade e o tempo necessário para se adaptar, para se ambientar e para depois por todas as suas capacidades em prol da equipa. E se calhar, não foi o momento certo.

O empréstimo ao Wolverhampton foi benéfico?

Pelo facto de ele não estar a ser utilizado em Barcelona com regularidade que ele desejaria, logicamente tentou dar esse passo e, com a idade que ele tem, o importante é jogar e competir. E estamos a falar de uma Liga inglesa, que é uma liga extremamente competitiva, com equipas muito fortes. Foi mais um passo na evolução dele.

Em que posição do campo o Trincão poderá render mais no Sporting?

Eu acredito, e o Rúben Amorim, conhecendo-o bem, acredito que ele seja neste Sporting o substituto natural do Sarabia, que não ficou. Por isso a força que o Sporting fez para ter o Trincão, e a vontade também do Trincão de ir para o Sporting. Porque, no fundo, sabe o que é que o Rúben vai exigir dele e, ao mesmo tempo, o mister Ruben Amorim também sabe aquilo que o Trincão lhe pode dar neste Sporting que ele pretende.

Substituir Sarabia pode ser um motivo de pressão para o Trincão?

É verdade que o Sarabia teve um desempenho de excelência na equipa do Sporting. Para além dos golos que fazia, ele dava muito à dinâmica ofensiva da equipa. Acredito que o Trincão possa ter alguma pressão, está a chegar a um clube novo, vai ter a sua adaptação. Mas ele já conhece grande parte dos jogadores que constituem o plantel do Sporting, por isso, acredito que a integração seja mais rápida.

Ao mesmo tempo também vai estar mais preparado, porque sabe o que é que o treinador vai pedir.

O facto de o Rúben Amorim o ter desejado pode dar-lhe mais tranquilidade?

Eu acredito que sim, a vontade do treinador em ter o jogador dá-lhe confiança e tranquilidade para que ele possa pôr todo o futebol que ele tem, que é muito, para ajudar a equipa do Sporting.

Com o ingresso no Sporting, Trincão pode ficar mais perto da seleção e do Mundial?

Acredito que sim. É um jogador que é ambicioso, que é focado, sabe bem aquilo que quer. Agora, é lógico que depende de uma continuidade que até aqui ainda não teve. E este passo pelo Sporting acredito que seja precisamente para isso, para ter a continuidade que depois lhe possam abrir outras portas de uma delas possa ser a da seleção nacional.

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