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Tiago Madureira

“Final four” da Taça da Liga poderá ser no estrangeiro, depois de 2024

25 jan, 2022 - 06:40 • Pedro Azevedo

Em entrevista à Renascença, o diretor executivo da Liga defende modelo de sucesso da competição. No dia do arranque da "final four" da Taça da Liga, em Leiria, Tiago Madureira garante totais de condições de segurança para o público que se deslocar ao estádio.

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À semelhança do que acontece em Espanha, onde os jogos da “final four” da Supertaça se realizam em território internacional - este ano foi na Arábia Saudita-, a Allianz Cup pode seguir o mesmo caminho, admite o diretor executivo da Liga, Tiago Madureira, em entrevista à Renascença, no dia em que arranca a 15.ª edição da competição mais jovem do calendário nacional.

Leiria tem contrato com a Liga até 2024, a partir daí, obedecendo à "lógica de incremento de receitas para serem distribuídas pelos clubes", essa é uma possibilidade que "está em cima da mesa".

A exportação do produto é um dos objetivos e a Taça da Liga, cujo modelo tem sido replicado noutros países, é um exemplo de sucesso, defende Tiago Madureira.

A "final four" 2022 começa esta noite, com a primeira meia-final, entre Benfica e Boavista, e continua na quarta-feira, com o Sporting-Santa Clara. A final é no sábado. Os jogos são todos às 19h45, com relato na Renascença e acompanhamento ao minuto em rr.sapo.pt.

A edição deste ano ficará marcada pelo regresso do público, depois de em 2021, devido à pandemia de Covid-19, os jogos se terem realizado sem espectadores nas bancadas. Um regresso saudado pelo diretor executivo da Liga, que garante condições de total segurança para todos os que decidam assistir aos jogos no estádio.

Em cenário de pandemia, com o pico da quinta vaga que afluência espera para a “final four” da Allianz Cup e que regras serão impostas aos adeptos para o acesso ao Estádio Municipal de Leiria?

Estamos à espera de boas casas nas meias-finais e ainda mais público na final. É uma edição muito especial porque simboliza o regresso do público, mas temos a consciência de que estamos no pico pandémico de mais uma vaga.

Temos trabalhado de forma estreita com as autoridades de saúde local e as forças de segurança, de forma a garantir que todas as atividades tenham um plano de contingência que garantam segurança máxima a todos os adeptos.

É obrigatória a apresentação de teste negativo, com a exceção de quem tem o certificado digital de recuperação de vacinação completa com o reforço da terceira dose. E vamos ter um perímetro adicional de segurança, um perímetro sanitário onde serão feitas as primeiras filtragens de pessoas.

Só dentro do perímetro mais alargado é que estarão as pessoas comprovadamente negativas. Deixo a recomendação aos adeptos para que venham cedo porque podem fazer a demonstração do teste fora desse perímetro e trocar por uma pulseira para entrarem de forma mais rápida.

Todos os anos a Liga é criticada pelas dificuldades de calendário que a Allianz Cup provoca aos clubes de maior dimensão e pelo formato feito à medida dos chamados grandes. Como lida com essas críticas?

As críticas entristecem-me um pouco porque há uma perceção errada. Esta é a 15.ª edição e há 19 clubes diferentes que chegaram às meias-finais, 10 finalistas diferentes e cinco vencedores diferentes.

Em formatos de provas de eliminação pura a diferença é marginal. A perceção de formato feito à medida dos grandes é errónea. Há um modelo que tem de ser feito porque tem de haver um equilíbrio no calendário desportivo. Há uma grande assimetria no número de jogos entre equipas que participam nas provas europeias e as restantes.

Na Allianz Cup há uma fase de grupos que me parece um modelo interessante porque a competição distribui receitas e um número mínimo garantido de jogos. Para patrocinadores e para quem compra direitos audiovisuais é muito relevante.

Nesta edição reduzimos a fase de grupos de quatro para três equipas e as que jogam nas provas europeias fizeram menos um jogo. E a maioria dos seus jogos nesta prova foram realizados fora do período em que estão em competição na fase de grupos das provas da UEFA.

Como irá ser encaixada a Allianz Cup no calendário de competições da nova época, atendendo ao facto de o Mundial realizar-se no inverno?

Está estabelecido que a Liga irá parar, independentemente do apuramento de Portugal ou não para o Mundial. Vai haver uma interrupção de mais de um mês e meio em novembro e dezembro com impacto muito grande em termos competitivos nas equipas. Colocar nesse período a fase de grupos da Allianz Cup é uma possibilidade que está em cima da mesa.

O número de selecionados para o Mundial não será altamente significativo e poderá ser uma boa solução para as equipas resolverem o problema da inatividade jogando grande parte da competição da Taça da Liga num formato transitório com grupos com um número mínimo de jogos garantido a todas as equipas durante aquele mês e meio que não têm competição e mantendo a "final four" nas datas habituais nos finais de janeiro.

Leiria é um palco para manter a “final four” nos próximos anos?

A Câmara de Leiria tem sido um parceiro extraordinário. Temos um acordo de três anos pela frente. Termina em 2024. Depois disso logo veremos, quem sabe mantendo em território nacional ou exportando este modelo para além-fronteiras.

Admite exportar a Taça da Liga para território asiático à semelhança do que está a fazer a Espanha com a Supertaça?

É preciso recordar que um dos pilares de construção desta competição foi a angariação de receita e posterior distribuição pelos clubes com um mecanismo democrático entre os maiores e de menor dimensão.

A possibilidade de conseguirmos exportar o modelo numa lógica de incremento de receitas para serem distribuídas pelos clubes é algo que está evidentemente em cima da mesa.

O modelo da “final four”,de que fomos pioneiros, está a ser replicado em outras competições. A Supertaça de Espanha é um bom exemplo e com sucesso do ponta de vista comercial e financeiro no mercado do Médio Oriente.

Portanto, se houver esse potencial e esse interesse, e acreditamos que um dos pontos em que precisamos de apostar mais é a internacionalização das competições da Liga Portugal e dos seus clubes, iremos sempre espreitar essa oportunidade.

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