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Euro2024

Guia Euro2024. Conheça as equipas do Grupo B

10 jun, 2024 - 09:00 • Francisco Sousa

A Renascença conta-lhe quais são as ideias e as figuras de Espanha, Itália, Croácia e Albânia. O Europeu vai jogar-se entre 14 de junho e 14 de julho.

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Espanha ⚽

Podemos considerar a Espanha ligeiramente favorita no Grupo B, em virtude da qualidade do plantel convocado, da experiência competitiva acumulada e até pelos bons indícios revelados na 'final four' da Liga das Nações do ano passado, longe da pressão de um Europeu, promove ainda assim uma aproximação às decisões mais importantes.

A fase de qualificação nem começou da melhor maneira e a derrota em Hampden Park, na Escócia, fez soar os alarmes para os lados da casa das seleções espanholas, nos arredores de Madrid. Seis jogos a vencer de forma consecutiva, com um total de 22 golos marcados, serviram para renovar as esperanças num bom desempenho na Alemanha, além de terem encaminhado a 'roja' para o primeiro lugar do grupo.

Luis de la Fuente foi fortemente criticado nos primeiros meses ao serviço da formação ibérica, mas a conquista de uma prova, aliada ao tal apuramento no topo, deram força à aposta no antigo selecionador de sub-21. Alternando entre o clássico 4-3-3 e o 4-2-3-1, apostou em Rodri como o chave-mestra de um projeto que procura aliar a clássica fúria espanhola (buscando extremos com rasgo e um jogo mais vertical) à pausa e técnica elaborada que guiou as últimas grandes conquistas (aquelas entre 2008 e 2012). O médio do Man. City é o ponto de equilíbrio e pode ter junto dele elementos como Pedri, Fabián Ruiz ou Mikel Merino, para não falar de revelações da La Liga como Álex Baena ou o barcelonista Fermín López, presentes na convocatória.

Atrás, a discussão para a baliza parece não existir (Unai Simón + 10), apesar das boas temporadas de David Raya e Álex Remiro. Surpreende não ver o acutilante Pedro Porro na direita, mas de la Fuente deu privilégio aos veteranos Dani Carvajal (época assinalável) e Jesús Navas. À esquerda, e depois de anos a bater com o nariz na porta, surge Alejandro Grimaldo, autor de uma temporada de estreia no Bayer Leverkusen com números dignos de atacante entre assistências e finalizações. Para o centro da defesa, Laporte e Le Normand assumem o favoritismo rumo à titularidade, com o menino-revelação de La Masía, Pau Cubarsí, a ficar de fora depois da estreia em março (seguem na lista final, Dani Vivian do Athletic e o veterano campeão europeu Nacho).

Finalmente, no setor mais adiantado, Álvaro Morata vai procurar replicar a campanha na qualificação (quatro golos em seis partidas), partindo na «pole position» para ocupar o lugar de ponta de lança (a concorrência será do suplente-herói do Real Madrid, Joselu e do móvel Mikel Oyarzabal). A partir das alas, espera-se a ameaça de Lamine Yamal e Nico Williams, dois poços de talento, que formam um híbrido ideal entre as tais duas Espanhas do passado, a mais frenética e a mais tecnicista. Se o treinador pretender um perfil para lá do explosivo, Dani Olmo (que também pode partir como titular, nas costas de Morata), Ayoze Pérez ou Ferrán Torres acrescentam soluções diferentes, restando saber a forma em que irão aparecer em solo alemão.

A figura 🧞‍♂️

Rodri. Decisivo na última conquista espanhola (Liga das Nações do ano passado), tornou-se num dos melhores médios do mundo muito rapidamente e a Espanha atual depende muito da sua elevada categoria técnica. É um esteta que faz a equipa avançar junta, variando a categoria de passe consoante a necessidade e revelando ainda gosto pelo disparo de fora da área.

Itália ⚽

Com o estatuto de campeã em título, mas ainda a viver a ressaca de mais um episódio traumático (eliminação frente à Macedónia do Norte na meia-final do play-off de acesso ao Mundial do Qatar), a Itália quer mostrar uma melhor cara na viagem até norte.

Luciano Spalletti pegou no testemunho de Roberto Mancini em setembro e desde então os transalpinos só perderam por uma vez (em Wembley, num jogo de apuramento). As bases táticas pareciam destinadas a manter-se (Spalletti também é um técnico que se fia no 4-3-3), mas os testes de março denunciaram que o selecionador pode fazer a equipa medrar num sistema 3-4-2-1. Podendo variar entre sistemas no próprio jogo, o grupo de jogadores da ‘squadra azzurra' dá alguma margem para que o técnico possa ser algo criativo, ainda que no setor ofensivo o talento não abunde em número.

Federico Chiesa prepara-se para se assumir como o jogador mais diferenciado no último terço, pela forma como alia velocidade, capacidade de desmarcação e nível técnico, não esquecendo que Lorenzo Pellegrini deve ajudar nos últimos passes, jogando mais adiantado. Como alternativas exteriores, o laziale Zaccagni (ganhou a corrida a Orsolini) e El Shaarawy. No centro do ataque, prevê-se uma animada batalha pela titularidade entre Mateo Retegui (boa temporada no Genoa) e um Gianluca Scamacca que foi uma das figuras da brilhante Atalanta de Gasperini, na Europa e não só. Este avançado tem espetaculares recursos para jogar em apoio, de costas e com precisão nas desmarcações em ruptura e posterior remate.

Para a zona intemerdiária, Luciano Spalletti conta com a experiência de Jorginho, o andamento multifacetado e chegada de Nicolò Barella, o sustento defensivo de Bryan Cristante, a capacidade técnica e aproximação à segunda linha de Frattesi e um Fagioli com pouco tempo de jogo recente para preencher o plantel.

Em termos defensivos, e sempre dependendo de qual a aposta tática, há várias opções credíveis, apesar das lesões de última hora dos centrais Acerbi e Scalvini. Ao centro, Gianluca Mancini, Alessandro Bastoni e a revelação da época Riccardo Calafiori deverão assumir papel protagonista, mesmo que a presença do veterano multi-funções Matteo Darmian e do consistente Federico Gatti possam convocar a incerteza. Nas laterais, perspetiva-se que Giovanni Di Lorenzo e Federico Dimarco sejam titulares, mas atenção à época de afirmação de Andrea Cambiaso, lateral juventino que tanto pode jogar de um lado como do outro do campo e que possui uma técnica interessante para orientar, acompanhar e lançar ataques, além de revelar fiabilidade defensiva.

A figura 🧞‍♂️

Nicolò Barella. É um dos médios mais subvalorizados do futebol europeu, sabe fazer tudo bem e é absolutamente imprescindível para Simone Inzaghi no Inter. Parte como médio interior, com chegada a zonas adiantadas, mas conseguindo encostar aos alas para ligar no passe e baixando até com argúcia para ligar jogo na construção inovadora do técnico interista. Sem bola, é também essencial em tarefas de pressão, mostrando acerto no tempo de desarme

Croácia ⚽

Não são de esperar grandes aventuras em termos táticos na seleção croata. Zlatko Dalić irá certamente aproveitar o embalo de mais um Mundial assinalável (3.º lugar), mantendo um grupo que prima pela coesão, estabilidade e segurança dos mais ‘veteranos' e que já começa a incorporar «sangue novo» nalguns setores.

A campanha de apuramento esteve longe de ser brilhante e ficou a marca negativa de duas derrotas consecutivas, face a Turquia e País de Gales. O futebol elaborativo dos balcânicos não encontrou em vários momentos o melhor caminho para as balizas adversárias, em nova prova de que se exige alguma renovação no setor atacante.

Modrić-Brozović-Kovačić, assim sem separação, mantêm-se como fortes candidatos a compor o trio de meio-campo, apesar da irrupção do talentoso Lovro Majer nos últimos dois anos. Ivan Perišić saiu do Tottenham a meio do ano para reforçar o Hajduk Split, da sua terra natal, e continua a ser opção válida para a faixa esquerda, enquanto que à direita pode cair Majer ou a revelação da liga croata Marco Pašalić.

Para o centro do ataque, a renovação continua a não surgir, mas os experientes Andrej Kramarić (contributo direto para 21 golos do Hoffenheim na Bundesliga) e Ante Budimir (17 tentos na La Liga, ao serviço do Osasuna) podem continuar a dar a tão desejada veia goleadora, bem como o possante (e também forte em apoio) Bruno Petković, autor de 18 golos e 9 assistências na época do Dinamo Zagreb.

O rendimento defensivo da formação de Dalić também foi questionado no pós-Mundial mas no setor mais recuado, sim, começa-se a notar aposta em unidades para o presente e futuro a longo prazo da seleção croata.

Josip Šutalo e Joško Gvardiol são os candidatos mais sérios à titularidade ao centro, ainda que o jogador do Manchester City se tenha destacado mais na lateral, nos últimos meses da temporada. Aí, mora um Borna Sosa que representa uma solução sólida e segura, enquanto que do lado direito os versáteis Josip Stanišić e Josip Juranović possam tomar a posição.

Na baliza, Dominik Livaković continua a ser o indiscutível dono e senhor do lugar e os croatas rezam para que esteja pelo menos tão inspirado quanto na última grande prova disputada.

A figura 🧞‍♂️

Joško Gvardiol. Talvez seja estranho não ver Modrić neste lugar de destaque, mas tudo isto se deve ao tremendo impacto de Gvardiol atuando como lateral-esquerdo na fase final da temporada do Man. City, revelando-se absolutamente essencial para a conquista da Premier pelos sky blues. Ganhou argumentos defensivos, mas é pela refinação com bola, pela maneira como mede os tempos de subida ao ataque e como se incorpora por dentro em zonas subidas que mais se evidenciou.

Albânia ⚽

A Albânia de Sylvinho (que forma um trio de culto no banco com Doriva e Pablo Zabaleta) tem razões para se alarmar com o trio de adversários que terá pela frente na fase de grupos. Ainda assim, e na sequência de um período qualificatório a roçar o notável (terminaram à frente de Chéquia e Polónia), os albaneses chegam preparados para criar dificuldades por via da organização defensiva coriácea, com linhas próximas e não arriscando em demasia na pressão.

Tudo indica que o 4-2-3-1 se vá manter como o sistema preferencial de Sylvinho. Na baliza, Etrit Berisha parte na frente de outro guardião com experiência em grandes campeonatos (Strakosha). A linha defensiva conta, na mesma medida que o restante plantel, com um considerável andamento de Serie A italiana. Elseid Hysaj, lateral à direita, os prováveis titulares ao centro, Berat Djimsiti (referência da marcação defensiva ao homem da Atalanta) e Ardian Ismajli, bem como o principal central suplente, Marash Kumbulla, jogam todos na divisão de topo do futebol transalpino.

Seguindo a lógica do apuramento, o cirúrgico interista Kristjan Asllani e o mais defensivo Ylber Ramadani devem ser os titulares no meio-campo, com boas alternativas como Gjasula, Abrashi ou Laçi. Como unidade mais adiantada do meio-campo, Nedim Bajrami tenta levar as boas sensações de Sassuolo para o Europeu, com o enérgico Ernest Muçi (parte da zona central mas sabe cair na faixa) como alternativa de luxo.

A partir das alas, temos uma das surpresas recentes à direita, Jasir Asani, um canhoto que jogou nas seleções jovens da Macedónia do Norte e correu diferentes países europeus na carreira de clubes, até ir parar ao Gwangju do futebol sul-coreano. Ameaça de fora para dentro e remata com muita qualidade, assim como o habitual titular da outra ala (Taulant Seferi, um destro que também pode atuar como ponta de lança).

Como referência de ataque, Armando Broja apresenta-se como candidato ao lugar, ainda que a concorrência de Rey Manaj (22 golos na época, ao serviço do Sivasspor) e do possante Mirlind Daku possam tornar a luta por esta posição numa das mais animadas do grupo albanês.

Figura 🧞‍♂️

Kristjan Asllani. Formado no Empoli, é um médio que não beneficiou de titularidade indiscutível (complicado, olhando à concorrência...), mas que foi exibindo a espaços a qualidade já demonstrada anteriormente no clube anterior. Sabe sair de pressão, exibe predicados no passe e forma um duo consistente com o mais defensivo Ramadani.

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