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Euro 2024

Quem é Toti Gomes, o estreante da seleção nacional?

29 mai, 2023 - 18:40 • Eduardo Soares da Silva

Aos 24 anos, o jogador do Wolves foi a grande novidade na convocatória de Roberto Martínez. Para João Carlos Pereira, um dos primeiros treinadores a apostar em Toti Gomes, o defesa que "deu um salto qualitativo tremendo" pode encaixar a central ou ala esquerdo no novo sistema da seleção.

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Poucos esperariam ouvir o nome de Toti Gomes quando o selecionador nacional português anunciou a convocatória do defesa para os próximos jogos de qualificação para o Euro 2024. Mas afinal, quem é Toti Gomes?

Aos 24 anos, o defesa do Wolverhampton prepara-se para a estreia na seleção nacional. A crescer há uma época e meia na equipa principal do Wolves - viveiro de talento português na Premier League -, Toti Gomes tem como principal vantagem a sua polivalência.

Central canhoto de raiz, com 1,88m de altura, Toti Gomes pode também jogar na ala esquerda, posição em que foi mais utilizado no final de temporada no clube.

Sem os lesionados Nuno Mendes e Mário Rui, Roberto Martínez chamou apenas um defesa esquerdo de raiz, Raphael Guerreiro. João Cancelo e Dalot podem jogar à esquerda, mas Toti Gomes figura também como uma possibilidade.

O treinador João Carlos Pereira foi o primeiro que acreditou no talento de Toti Gomes e atesta a qualidade do defesa nas duas posições. Em 2020/21, o jovem defesa fez a sua primeira época sénior a titular no Grasshoppers, já emprestado pelo Wolves.

"Pode dar igualmente rendimento nas duas posições, mas acho que pode ainda não estar num estado de maturação na dimensão do seu potencial. Pode ser mais aposta no corredor, porque joga nessa posição e há menos riscos a lateral, com eventuais erros típicos de jovens sem bagagem tática e competitiva como o caso dele", explica.

Toti Gomes tinha acabado de recuperar de uma grave lesão num joelho que o afastou durante uma temporada inteira quando rumou à Suíça. À Renascença, João Carlos Pereira recorda o processo de contratação do central.

"Recordo-me de ter reuniões com o diretor desportivo, financeiro e pessoas ligadas à Gestifute [empresa do agente Jorge Mendes], que eram parte fundamental do projeto. O nome surgiu em cima da mesa e já tinha ouvido falar dele. Fiz várias perguntas a pessoas que tinham trabalhado com ele e fiz o meu papel: aconselhei a partir para a contratação. A lesão era a grande dúvida, esteve a época anterior quase toda parado, mas soube que já estava a treinar e em condições funcionais", explica.

Em Portugal, a história de Toti Gomes fez-se longe dos grandes palcos. Passou pela formação do Fontainhas e CDS Cascais, antes de ser contratado pelo Estoril Praia, já no segundo ano de junior, em 2017.

Ainda se estreou na II Liga, no fim da época 2018/19, com o treinador Bruno Baltazar. Depois de recuperado da lesão, Toti Gomes rumou à Suíça.

"Foi um negócio que foi feito para o Wolves. Uma aposta de médio-longo prazo, porque acreditaram muito no potencial dele. Fez uma temporada em crescendo, acabou muito bem. Era uma vantagem ter um jogador que podia jogar em duas posições. Para nós era fantástico, inicialmente não tinha muito claro onde é que o poderia utilizar. Decidimos que jogaria a central, foi assim que fez a época quase toda", atira.

"Pode chegar muito mais longe"

Toti "soube aproveitar os momentos". Com a lesão de Saiss no Wolves, um dos mais experientes jogadores do plantel, Bruno Lage decidiu aproveitar a pausa do campeonato suíço para observar o português.

"Estava na segunda época no Grasshoppers, há uma paragem de inverno, estaria de férias, mas surgiu oportunidade para ir treinar ao Wolverhampton. Era o Bruno Lage o treinador, quiseram analisá-lo. Chegou, impos-se e já não voltou", recorda.

Foto: Gustavo Pantano/MI News/NurPhoto
Foto: Gustavo Pantano/MI News/NurPhoto
Foto: Gustavo Pantano/MI News/NurPhoto
Foto: Gustavo Pantano/MI News/NurPhoto

Para além da polivalência, Toti Gomes tem outras características que terão cativado a atenção de Roberto Martínez.

"Sabe projetar-se no ataque, associar-se bem e é muito poderoso fisicamente. Quando ele chegou às nossas mãos, [o físico] foi o que mais saltou à vista. Teve de evoluir no entendimento e compreensão do jogo e deu um salto qualitativo tremendo. Lembro-me de comentar que, se ele não tivesse problemas de lesões e o percurso evolutivo que preconizamos, seria um jogador a chegar ao Wolverhampton e impor-se. A partir daí, tudo é possível", atira.

A subida tem sido meteórica para Toti Gomes, desde a segunda divisão na Suíça até à convocatória na seleção. Ainda assim, o treinador que apostou no jovem defesa acredita que ainda há margem de crescimento.

"Lembro-me de lhe dizer, quando ele começou a jogar no Wolves, que isto não parava aqui. Há que manter a luz acesa, é possível chegar muito mais longe. Ele está de parabéns por esta chamada à seleção, mas ainda não acabou", diz.

Estreia é questão de tempo

Resta saber quando Toti Gomes vai somar a sua primeira internacionalização.

Portugal joga com a Bósnia e Herzegovina, a 17 de junho, e desloca-se até à Islândia, no dia 20. A questão é para Roberto Martínez, mas a estreia é "uma questão de tempo".

"É uma pergunta para o selecionador, mas de qualquer das formas, todos os jogadores que estão convocados têm que acreditar que podem ser utilizados e em condições para se estrearem. Mas é uma questão de tempo, pode ser só mais tarde, mas ser convocado é o corolário da sua evolução, esforço e trabalho", termina João Carlos Pereira.

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