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António Simões

“Olhem para aquilo que Eusébio fez e tentem, todos juntos, dar um pouco mais”

25 jan, 2022 - 09:30 • João Fonseca , Carlos Calaveiras (texto)

O "irmão branco", António Simões, recorda a memória de Eusébio da Silva Ferreira, em dia de aniversário. Destaca a importância do "King" no passado, mas também da importância que pode ter para o atual plantel encarnado.

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Eusébio da Silva Ferreira faria 80 anos esta terça-feira. Em dia de jogo do Benfica para a Taça da Liga, Bola Branca ouviu António Simões, o “irmão branco” do King.

Simões recorda a importância de Eusébio na época áurea dos encarnados, mas olha também para a frente, esperando que o exemplo possa inspirar o plantel atual.

Eusébio da Silva Ferreira nasceu a 25 de janeiro de 1942 e morreu a 5 de janeiro de 2014, aos 71 anos.

Eusébio faria 80 anos. António Simões, o "irmão branco", como vive esta data?

É a oportunidade de falar de um homem extraordinário e de um jogador que nos encheu a alma. Acho muito bonito que não se esqueça esta data. Eusébio é a celebração do jogo, mas também do golo.

A sua relação com o jogo foi sempre superior, razão da dificuldade do adversário para o travar. Nós sabemos que ele foi impar, inigualável

Foi um jogador universal. Todos respeitavam Eusébio da Silva Ferreira.

Com justiça ficou com a alcunha de King. Chegou a esse patamar onde só estão uma dúzia de jogadores em mais de 100 anos de futebol. Ele foi transversal, universal, ele foi do mundo do jogo e não só. Não temos adjetivos para classificar esse extraordinário jogador que foi.

E podemos falar um pouco do que foi Eusébio, o homem?

Ele foi generoso e muito humilde. Por isso, tornou-se numa das figuras mais populares e mais queridas do século XX. O povo emocionou-se e apareceu nas ruas num profundo reconhecimento pelo jogador, sim, mas sobretudo pelo cidadão que foi Eusébio da Silva Ferreira.

Se nós juntarmos tudo isto para os tempos de hoje em que verificamos que o mundo está um pouco desumanizado. Faz falta ao futebol e à própria sociedade gente tão capaz, tão superior, mas ser tão humilde no exemplo.

Ainda hoje, custa-lhe passar este dia?

Quando Eusébio faleceu há um pedaço de mim que se perdeu porque esse pedaço fez sempre parte de mim, quer como atleta, quer como homem. Nós vivemos juntos décadas. São momentos que não é possível esquecer.

Ninguém está aqui a tentar ser agradável depois de alguém falecer. Não tem a ver com isso. Tem a ver com aquilo que era uma cumplicidade, às vezes até a zanga, mas depois vinha a paz, o amor, a compreensão entre nós.

Deixe-me contar um pequeno episódio: tive momentos em jogos, quando havia um livre, Eusébio chamava-me para estar ao pé da bola, olhava para a barreira adversária e decidia se queria que eu tocasse na bola ou não. Muitas vezes dizia: "Não toques, vai ser golo" e ele corria, chutava e era golo e eu ficava quieto a saborear aquela celebração contagiante, em que ele tinha dito que ia ser golo. Eusébio teve um dom.

O aniversário de Eusébio é num dia em que o Benfica vai jogar uma meia-final para tentar chegar à final da Taça da Liga. Eusébio estará presente para os jogadores do Benfica de hoje?

Quem está dentro do clube deve conseguir transmitir aquilo que é a cultura e a raiz de um clube com mais de 100 anos, que teve nos anos 60 e 70 o maior sucesso de toda a sua história, tendo Eusébio sido a sua figura central, é muito importante que todos aqueles que têm responsabilidade de representar o clube e respeitar a história que sejam capazes de transmitir aos outros quem foi Eusébio.

Aprendi a perceber a história do Benfica com José Águas, primeiro, e com Mário Coluna. Depois passei eu a ter essa responsabilidade e depois vieram outros. Toda essa mística, essa responsabilidade passa de uns para os outros.

É muito importante que se dê a conhecer a quem está para que percebam que ter tido Eusébio foi um privilégio mas, ao mesmo tempo, um acrescento de responsabilidade

O Benfica tem hoje Rui Costa como presidente, um antigo jogador que sabe bem o que representa Eusébio. Estará presente em Leiria contra o Boavista?

Tenho essa esperança. Isso ajuda a ganhar. Ter referências ao longo da nossa vida é muito importante. Quem não respeita a história, por não ter memória, perde a identidade e eu espero que o Benfica não perca isso.

Não podemos abdicar dessa riqueza. Tenho essa esperança que o Benfica possa dar-nos uma imagem melhor do que aquela que tem conseguido nos últimos tempos.

Benfica terá de jogar para ganhar, mas hoje também por Eusébio?

Se eu falar do Eusébio e disser que foi não só jogador do Benfica, mas que é o Benfica, há alguma razão para nos ofendermos? Foi e continua a ser.

Que diria António Simões ao plantel do Benfica neste dia em que celebramos o 80.º aniversário de Eusébio?

Que celebrem o jogo e dediquem-se a ele como Eusébio fez. Olhem para aquilo que ele fez e tentem, todos juntos, dar um pouco mais de cada um, para cada um contribuir e dar essa alegria ao nosso querido Eusébio.

Se, de facto, a figura for inspiradora agarrem-se a ela e façam tudo. E esse tudo é ter alma, é ter capacidade de sofrer no momento que é necessário e acrescentar mais garra, mais empenho e que nos momentos mais fáceis o façam com alegria e o prazer que Eusébio nos proporcionou. Sigam o caminho dele e vão ver que terão sucesso”.

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  • António Simões
    25 jan, 2022 Brasil 18:43
    Ridículo

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