Tempo
|
Raquel Abecasis
Opinião de Raquel Abecasis
A+ / A-

​Uma entrevista que não se devia ter feito

15 dez, 2015 • Opinião de Raquel Abecasis


É uma entrevista em que Sócrates cumpre a compreensível e legítima missão de se defender. Foi-lhe dada essa oportunidade e Sócrates não a desperdiçou.

O arguido José Sócrates deu uma longa entrevista em dois capítulos, dois dias seguidos em horário nobre na televisão para se justificar, depois de dez meses em prisão preventiva e quando ainda está a decorrer uma investigação onde é suspeito dos crimes de corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais.

É uma entrevista em que Sócrates cumpre a compreensível e legítima missão de se defender. Foi-lhe dada essa oportunidade e Sócrates não a desperdiçou.

O que é lamentável é a posição do entrevistador e do meio de comunicação que decidiu entrevistar um homem, a meio de um processo, sem conhecimento do mesmo, logo sem meios nem instrumentos para fazer o contraditório.

Resultado: foi como se estivéssemos a assistir a um julgamento em que só o advogado de defesa teve direito a falar, argumentar e contra argumentar, mandando calar o juiz sempre que quis continuar a falar e sugerindo-lhe mesmo a mudança de tema quando considerou o assunto esgotado.

No fim do espectáculo o animal feroz mostrou a sua raça e o jornalismo deu um triste espectáculo.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Á RR
    16 dez, 2015 Lisboa 23:36
    Porque mantêm Raquel Abecassis a fazer comentários destes? Consideram V/Exa. que esta senhora é uma boa articulista?
  • Tanto ódio
    16 dez, 2015 12:17
    O homem até pode ser culpado, mas é certo que também esteve preso 1 ano a ser julgado publicamente, sem possibilidade de contraditório. Faz-lhe assim tanta confusão que tente equilibrar isso com uma entrevista/conversa de 2 horas? Quantas horas de mau jornalismo vimos no último ano acerca deste tema?
  • Americo
    16 dez, 2015 Ansiao 12:15
    A estação em causa está cheia de gente "não recomendável". Vejam esta situação do Banif. Por amor de Deus......
  • Manuel Rosa
    16 dez, 2015 NL 12:09
    Mas diga lá Dona Raquel...parece que a senhora não entende mesmo nada do que está a acontecer... não fez o trabalho de casa!!! se lhe fosse tirada a liberdade durante quase um ano sem acusação então de certeza que teria uma outra opinião e outro comentário a fazer....
  • Á sério????
    15 dez, 2015 Lx 22:42
    Está a faltar-lhe foco senhora Raquel Abecassis! José Sócrates foi convidado para ser ouvido e não entrevistado, porque, como muito bem diz, o processo vai a meio e o jornalista não tinha ferramentas para o contraditório. A única questão, é que José Sócrates esteve preso durante meses, foi entretanto libertado, e ainda nada se sabe da acusação... Essa foi a razão de José Sócrates ter sido convidado. Independentemente da ideologia política de cada um, a generalidade das pessoas querem saber o que se passa a respeito deste processo, por isso as audiências subiram em flecha. E, se me permite uma opinião pessoal, espetáculo jornalístico triste, são os seu comentários.
  • NL
    15 dez, 2015 Ermesinde 22:26
    Raquel: Sejamos honestos, não sejamos nazis, e tenhamos dignidade: Sócrates, como cidadão de Portugal, é diferente ou é igual a cada um de nós, portugueses? Se é diferente a justiça que explique qual é a diferença. Se não é diferente porque é que a dita justiça portuguesa está a tratá-lo usando os mesmos métodos da Inquisição? Porra para a porcaria .... ainda hoje se vai à missa aos Domingos, não por amor a Deus, mas com medo do fogo do inferno. É a isto que se chama poder judicial?