Siga-nos no Whatsapp
Euranet
Radar Europa
“Radar Europa” é um podcast quinzenal, da autoria de Hugo Monteiro, que, em ano de eleições europeias, procura responder à questão: o que pode fazer a União Europeia pelos europeus. Uma nova edição disponível quinzenalmente, às quartas-feiras. Esta é uma parceria Renascença/Euranet Plus.
A+ / A-
Arquivo
Pode a União Europeia deixar de apoiar a Ucrânia?

Radar Europa

Sem "margem para recuo". "Não é opção" travar apoio a Kiev

06 mar, 2024 • Hugo Monteiro


Dois anos depois do início da guerra no leste europeu, especialistas ouvidos pelo podcast "Radar Europa" são unânimes em dizer que este não é o momento para acabar com qualquer tipo de apoio à Ucrânia. O “Radar Europa” é um podcast Renascença, em parceria com a Euranet Plus.

“A questão da Ucrânia é, indiscutivelmente e objetivamente, um problema de segurança da Europa no seu conjunto”, como tal, “não é opção para a União Europeia (UE) deixar de apoiar a Ucrânia”. A tese é do investigador do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI) José Pedro Teixeira Fernandes que, em declarações ao podcast "Radar Europa", diz haver, no entanto, coisas “que os Europeus e o Ocidente têm de corrigir” na forma como olham para o problema no leste europeu.

O também professor de Relações Internacionais do Instituto Superior de Ciências Empresariais e do Turismo (ISCET) defende ser “necessário colocar, objetivamente, o grau de ameaça que isto representa para a segurança e não oscilar, tipicamente, entre dois extremos. Oscilar entre a Rússia, com as capacidades e com intenções agressivas” que a Europa, por vezes, leva ao extremo e o “patamar onde se subestima completamente a Rússia e em que se rebaixa a sua capacidade económica e a sua capacidade de manter uma guerra”. Este discurso “não ajuda em nada à apreciação do problema de segurança da Europa”.

Também o Major General Arnaut Moreira diz que a UE já não tem “margem para recuo”. Em termos militares, e numa altura em que “os países já não têm, dentro dos seus depósitos” de armamento e munições, “material suficiente para continuar a alimentar a guerra na Ucrânia”, os estados europeus “vão ter de criar, de produzir” mais material bélico. Um processo que, acontecer, vai arrancar “com dois anos de atraso”, nas contas do oficial de Inteligence na NATO e professor de Geopolítica e Geoestratégia no Instituto de Altos Estudos Militares e na Universidade Nova.

Os riscos da extrema-direita

Num outro plano, e para José Pedro Teixeira Fernandes, um eventual novo desenho do Parlamento Europeu, saído das eleições europeias de junho, com maior presença da direita radical, “pode, certamente, mudar alguma coisa”, nesta vontade de apoiar o esforço de guerra ucraniano.

“Obviamente vai criar um ambiente político que se vai refletir, de alguma forma, no funcionamento da UE. Depois, veremos também até que ponto condicionará as decisões políticas”. No entanto, lembra o investigador do IPRI, “a questão da política externa da UE não está nas mãos do Parlamento Europeu, mas está fundamentalmente nas mãos dos Estados membros”.

“É preocupante se for esse resultado e vai ter algumas consequências políticas, seguramente, mas não será só por aí que haverá uma alteração fundamental. Contudo esta é uma tendência que não facilita nada. Se conjugarmos com o ano eleitoral que se adivinha muito difícil nos Estados Unidos, tudo isto adensa a dificuldade de gestão da situação”, conclui José Pedro Teixeira Fernandes, em entrevista ao Radar Europa, um podcast Renascença, em parceria com a Euranet Plus.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.