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João Ferreira do Amaral
Opinião de João Ferreira do Amaral
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​Recuperação e incerteza

22 jul, 2022 • Opinião de João Ferreira do Amaral


Os quatro grandes da zona euro constituem praticamente o grupo dos países menos dinâmicos da zona na recuperação da crise provocada pela pandemia.

As projecções macroeconómicas recentemente publicadas pela Comissão Europeia trazem-nos boas e más notícias no que respeita aos valores do crescimento do PIB previstos para o corrente ano

A melhor é a que, para a nossa economia, a Comissão prevê para 2022 um crescimento do PIB a preços constantes de 6,5%, a maior taxa de crescimento de todos os 27 países da União Europeia. Este forte crescimento vai permitir que ainda este ano ultrapassemos confortavelmente (em cerca de 3%) o valor do PIB gerado em 2019, ou seja, antes da pandemia.

Boa notícia, portanto, tanto mais que nas mesmas previsões a Comissão aponta para um ritmo de crescimento de preços na nossa economia que é o quinto melhor de toda a União. Mas, como referi, também há más notícias. Talvez a mais negativa é a que tem a ver com a evolução prevista para as maiores economias da zona euro. São quatro: Alemanha, França Itália e Espanha. E o que é que concluímos das projecções publicadas pela Comissão para estas economias?

Em toda a União Europeia, apenas dois países ainda não recuperam totalmente da queda provocada pela pandemia: a Alemanha e a Espanha. A seguir, os que menos recuperam na zona euro são a Itália, a Eslováquia e a França.

Ou seja, os quatro grandes da zona euro constituem praticamente o grupo dos países menos dinâmicos da zona na recuperação da crise provocada pela pandemia. Se nos lembrarmos que três deles (Itália, França e Espanha) têm problemas políticos sérios, que a inflação continua elevada e que a própria Comissão prevê um significativo abrandamento do crescimento do PIB da zona euro em 2023, teremos todas as razões para encarar com prudência o cenário macroeconómico próximo.

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