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João Ferreira do Amaral
Opinião de João Ferreira do Amaral
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Uma oportunidade que não podemos desperdiçar

03 fev, 2022 • Opinião de João Ferreira do Amaral


Temos, pois razões para estarmos optimistas. Mas não podemos cair na armadilha do facilitismo.

Sou dos que acreditam que Portugal tem, neste momento, condições para sair da quase estagnação dos últimos 20 anos e entrar num caminho de crescimento económico, rápido e muito menos desigual.

Dessas condições, algumas são mais evidentes que outras. A mais evidente de todas é obviamente a de dispormos de muitos milhões de euros não só os do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), mas também os decorrentes dos “tradicionais” fundos estruturais. E não é só o dispormos de muito dinheiro: o PRR, ao contrário dos fundos estruturais, permite maior margem de manobra na aplicação dos fundos, o que é importante, porque nem sempre as prioridades impostas pelo financiamento europeu tradicional são as mais importantes do ponto de vista nacional.

A esta disponibilidade acresce que existe a nível governamental uma estratégia definida para a aplicação dos fundos que a meu ver corresponde adequadamente aos desafios (e são muitos) que temos que enfrentar. O que não quer dizer que essa estratégia esteja suficientemente concretizada em todos os domínios: há ainda muito a fazer nesta matéria.

Finalmente, a maioria absoluta, embora não seja condição suficiente de estabilidade política é sem dúvida uma condição necessária e esta está agora preenchida.

Uma das condições positivas que não é tão evidente porque nos habituámos a uma ladainha negativa de muitas décadas é a grande melhoria da qualificação da maioria da nossa população activa que é o resultado de muitos anos de um esforço continuado na Educação. Esforço que tem sido sempre muito polémico e cavalo de batalha entre governos e oposições mas cujos resultados olhando para um prazo longo são claramente visíveis. Claro que não estamos ainda num nível satisfatório relativamente aos nossos parceiros europeus: mas temos recuperado o atraso e podemos perfeitamente continuar a recuperá-lo no futuro.

Temos, pois razões para estarmos optimistas. Mas não podemos cair na armadilha do facilitismo. Em primeiro lugar porque a situação mundial, tanto do ponto de vista sanitário como político é ainda de uma enorme incerteza e pode piorar. Em segundo lugar, internamente, não podemos esquecer que uma maioria absoluta traz sempre consigo maior risco de compadrio e autismo político, o que exige uma oposição atenta e interveniente. Ou seja, o futuro próximo vai ser um grande teste tanto para o Governo como para a oposição.

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