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João Ferreira do Amaral
Opinião de João Ferreira do Amaral
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Mudanças profundas e difíceis

25 nov, 2021 • Opinião de João Ferreira do Amaral


Uma é a reforma da zona euro, mas a outra, tão urgente como esta, está relacionada com a política de imigração.

A União Europeia vai atravessar um período muito difícil nos próximos tempos. Por uma razão: vai ter que mudar profundamente e como sabemos, as mudanças profundas neste espaço europeu são quase sempre complexas e demoradas e deixam um travo amargo porque invariavelmente quando chegam já vêm atrasadas e porque também invariavelmente se traduzem por maior centralismo burocrático na decisão.

Já aqui mencionei uma dessas mudanças que vai ter que acontecer: a reforma da zona euro e, em geral, de toda a governança económica da União. Vai ser extraordinariamente difícil obter a unanimidade para este efeito (já que não vejo possibilidade da mudança acontecer sem uma correspondente alteração dos tratados) e não está sequer garantido que seja possível chegar a um resultado capaz.

Mas há outra mudança tão urgente como esta, que tem a ver com um domínio porventura ainda mais sensível da União: é a política de imigração.

Em Outubro, 12 Estados-membros escreveram uma carta à Comissão exigindo que os fundos europeus financiem barreiras físicas (isto é, muros) nas fronteiras externas terrestres da União para conter a imigração ilegal. Doze países não é pouca coisa: são quase metade dos estados da União.

Esta exigência vai totalmente ao arrepio do que tem sido a visão das instituições europeias sobre a matéria e arrisca criar uma divisão ainda mais profunda entre os estados que hoje constituem a União. E aqui não tenhamos ilusões: vai ser muito fácil fazer demagogia sobre o assunto e portanto não tenho dúvidas que, sobre esta matéria os governos do grupo de doze estados vão ter um forte apoio dos seus respectivos eleitorados.

Comentários
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  • paz peixoto
    26 nov, 2021 lisboa 17:26
    Espero sinceramente que a opção por "muros" ou qualquer outro entrave à entrada dos infelizes imigrantes na nossa fronteira não seja a do nosso eleitorado, embora a nossa voz seja fraquinha (quase inaudível) a 27