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“Vamos assistir a uma onda crescente de greves”
“Vamos assistir a uma onda crescente de greves”

João Duque

“Vamos assistir a uma onda crescente de greves”

20 mai, 2022 • Olímpia Mairos


As greves na função pública são o mote. O comentador destaca que "o aumento do preço do cabaz de compras já comeu mais do que todos os aumentos até ao final do ano, que estão anunciados para os funcionários públicos e, portanto, naturalmente, as pessoas vão reclamar”.

O comentador d’As Três da Manhã antevê que perante uma inflação galopante vamos assistir a uma onda crescente de greves.

“Pelo menos no setor público. O setor privado vai ter reações diferentes, mas eu estou à espera que no setor público do Estado, e de algumas empresas provavelmente detidas pelo Estado, isso se venha a verificar com intensidade, em função de um anúncio de 0,9% de aumento nos salários, quando as taxas de inflação já sobem acima dos sete e onde o aumento dos preços já comeu os 0,9% deste ano, previsto para a totalidade do ano”.

João Duque assinala, ainda, que “o aumento do preço do cabaz de compras já comeu mais do que todos os aumentos até ao final do ano, que estão anunciados para os funcionários públicos e, portanto, naturalmente, as pessoas vão reclamar”.

E se assim for, o comentador admite que o Governo vai acabar por ter de ceder, face a um aumento tão elevado da inflação, e rever o aumento de 0,9% para este ano.

Referindo que Fernando Medina “está convencido de que se o Governo anunciasse à partida que aumentar muito os salários as pessoas em geral, aumentavam muito as suas expectativas de inflação e, portanto, criava mais inflação, começa de uma forma muito conservadora”, admite que o governante vai ceder.

“Agora eu acho que ele vai acabar por negociar, ceder, não os 0,9, não os quatro, que ele próprio também não acredita, mas que anuncia que vai ser a taxa de inflação deste ano. É provável que fique ali pelos 2%, eu diria que é razoável, e se calhar até rever no segundo semestre qualquer coisa mais”, diz.

Para o comentador, esta vaga de greves não tem a ver só com a inflação propriamente dita, mas também com a vontade do PCP mostrar que tem força na rua, destacando que “há uma área do setor de atividade que são os transportes, que nós sabemos que os sindicatos afetos ao Partido Comunista, a CGTP, são muito fortes. Os transportes chegam em Portugal a significar mais de metade das greves anunciadas em Portugal”.

“Estou à espera de uma pressão muito grande. Neste caso, é uma boa pressão, diria eu, porque em função de anúncios de aumentos de salários tão baixos para os funcionários públicos, e para as empresas detidas pelo Estado, é normal que os trabalhadores e as suas sindicais reajam e, portanto, que pressionem o Governo”, conclui.

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