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Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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A cimeira China-EUA

14 nov, 2022 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


As relações da China com os países ocidentais têm-se deteriorado nos últimos anos. As iniciativas empresariais chinesas são suspeitas de envolverem desígnios políticos. Neste quadro, uma cimeira China-EUA só pode produzir resultados modestos. Mas que serão importantes para a segurança internacional.

À margem da reunião do G20 que decorre em Bali, Indonésia, espera-se que se realize uma cimeira entre Joe Biden e Xi Jinping. Deste encontro não são de esperar grandes acordos, mas já não seria mau que os dois líderes tomassem algumas medidas para evitar precipitações perigosas entre duas potências nucleares.

É um facto que as relações da China com os países ocidentais se têm deteriorado nos últimos anos. Do lado chinês, o regime cada vez mais repressivo de Xi não facilita qualquer entendimento com o rival que Pequim quer destronar, os EUA.

O crescimento económico da China abrandou muito. O enriquecimento dos chineses já não legitima a repressão. Por isso Xi aposta agora num nacionalismo chinês como ideal político, que exige total subordinação dos interesses individuais à direção do partido. E contra minorias muçulmanas essa subordinação é levada a extremos de violência.

Tem havido um forte crescimento das despesas militares de Pequim. Os jatos chineses sobrevoam frequentemente Taiwan e a marinha chinesa está cada vez mais agressiva no mar da China.

Do lado norte-americano, a crescente hostilidade à China de Xi Jinping é das raras causas que une democratas e republicanos. Washington impôs restrições a bens e serviços vindos da China e procura travar a expansão das conquistas tecnológicas chinesas. Por outro lado, Joe Biden prometeu defender Taiwan em caso de ataque militar chinês.

Na União Europeia (UE) passou o tempo em que a China era encarada com simpatia, seja como mercado ou como fonte de capital. As iniciativas empresariais chinesas são suspeitas de envolverem desígnios políticos.

Neste quadro, um encontro ao mais alto nível de dirigentes da China e dos EUA só pode produzir resultados modestos, mas que serão importantes para a segurança internacional.

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