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Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​Depois das eleições em Itália

30 set, 2022 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Georgia Meloni parece querer uma relação construtiva com a UE. A enorme dívida italiana assim o exige. Mas Meloni foi aconselhada há anos por Steve Bannon, o ideólogo de Trump. E Trump é a maior ameaça às democracias liberais.

Parece que só para o fim de Outubro a Itália terá um novo governo. Mas já se podem alinhavar algumas previsões quanto às políticas a seguir por Georgia Meloni.

Reparando em quem se apressou a saudar entusiasticamente a vitória eleitoral de Meloni – governantes da Hungria e da Polónia, M. Le Pen, etc. - dir-se-ia que a Itália caminha para uma autocracia. Mas Meloni, que já foi ministra, afirma querer trabalhar com a Comissão Europeia e ter ministros que não suscitem reações negativas na UE.

É possível que Meloni siga uma estratégia de moderação, como acontece com Le Pen, para manter o seu apoio eleitoral. E Meloni não ignora que a dívida do seu país ultrapassa 150% do PIB e que precisa do apoio de Bruxelas para evitar uma crise financeira grave.

A hostilidade à imigração une os três partidos da futura coligação chefiada por G. Meloni. Nas relações com a Rússia Salvini e Berlusconi são autênticos amigos de Putin, ao contrário de Meloni. O facto de o partido da chefe do governo ter obtido 26% dos votos, contra apenas 9% (Salvini) e 8% (Berlusconi) permite esperar que o novo governo não altere a linha seguida até aqui por Itália nesta matéria essencial de política externa – uma linha atlantista, de apoio à Ucrânia.

Claro que é difícil esquecer as raízes neo-fascistas do percurso político de Meloni, que no passado tomou posições de direita radical. Mais preocupante se afigura ser o facto de Meloni ter sido aconselhada há anos por Steve Bannon, um ideólogo que levou Trump ao poder e que hoje apoia a mentira de a eleição presidencial americana de 2020 ter sido fraudulenta.

Steve Bannon em 2018 virou-se para a Europa e tentou unir os partidos radicais europeus para mudar a UE por dentro, através do Parlamento Europeu. Mas as eleições europeias de 2019 não correram de feição a S. Bannon, que voltou para os EUA, onde enfrenta várias acusações criminais.

Bem mais do que a sombra de Mussolini, o grande perigo para as democracias liberais é Trump, para quem, ou é declarado vencedor ou acusa de fraude a eleição. Uma prática anti-democrática, que pode vir a ser seguida por Bolsonaro no próximo domingo.

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  • Ivo Pestana
    30 set, 2022 Funchal 13:14
    Existe uma crise de liderança no mundo, em especial no ocidental. O povo vai atrás de populismos e está farto de falsas promessas e corrupção...Portugal que se cuide, temos o Chega a crescer também. Talvez se devam criar licenciaturas de política, assim não está bem.