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Tudo o que precisa de saber sobre o Mundial 2022 Últimas Notícias Mundial 2022
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Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​Nós e a água

02 set, 2022 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Ainda não interiorizámos o imperativo de usar a água de modo mais eficiente. O Governo sugeriu a vários municípios que subissem o preço da água. Compreendem-se as resistências de várias câmaras. Água mais cara iria tornar a vida ainda mais difícil às famílias de baixos recursos.

Portugal é o segundo país europeu com maior consumo de água por pessoa. Cerca de 70% desse consumo vai para a agricultura. Daí a conveniência de promover culturas menos dependentes de água, pois sabemos que ela não será abundante no futuro. As alterações climáticas são uma realidade.

O problema está em não termos ainda interiorizado o imperativo de poupar água. Hoje, praticamente todas casas em Portugal dispõem de água canalizada. Não acontecia assim no passado.

Este progresso é positivo, claro, mas trouxe um novo relacionamento das pessoas com a água: parece um bem gratuito e de muito fácil acesso.

Quando abastecer de água uma família rural exigia um transporte muitas vezes penoso, as famílias tinham consciência do custo desse abastecimento. O que instintivamente levava a poupar água.

Ora o instinto atual aponta em sentido contrário. Pois se basta abrir uma torneira para logo a água correr... Isto, enquanto não forem aplicadas medidas e restrições drásticas no uso da água, que em breve poderão revelar-se necessárias.

A falta de mentalização para a poupança de água não é um problema nacional – é geral no mundo. A crescente urbanização é uma tendência mundial.

O Governo sugeriu a vários municípios que subissem o preço da água, que frequentemente se situa entre nós abaixo do custo de a captar e distribuir. Água mais cara levaria muitos consumidores a terem mais cuidado com o seu uso.

A maioria dos municípios aos quais foi dirigida aquela sugestão não aceita encarecer a água. Com a inflação a agravar brutalmente o custo de vida, percebe-se a relutância em juntar a água aos bens essenciais que sobem de preço.

Água mais cara iria tornar a vida ainda mais difícil às famílias de baixos recursos. Seria acentuar a injustiça social que a presente inflação representa para muita gente.

Assim, mentalizar os portugueses para o uso mais eficiente da água dependerá sobretudo de campanhas de sensibilização promovidas pelo Governo.

Para ser credível, o Governo terá de apoiar os municípios a travarem as perdas de água nas canalizações, que já andam pelos 30% em diversos zonas.

É pena que esse esforço de mentalização não tenha sido feito há anos. Mas mais vale tarde do que nunca.

Comentários
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  • Petervlg
    05 set, 2022 Trofa 07:39
    Temos que poupar agua, isto é certo e sabido. Mas estamos a utilizar milhões e milhões de litros de agua potável a apagar fogos, isto não se entende!
  • Ivo Pestana
    02 set, 2022 Madeira 17:25
    O Estado não é exemplo. Na minha terra muita água vai para o mar, quando há um derrame na via pública, levam uma eternidade para consertar o cano... muito desleixo com um bem precioso.
  • José Bulcão
    02 set, 2022 Almada 09:36
    Creio que não deve ser muito difícil mentalizar os cidadãos para a necessidade de ter um consumo contido e racional de água. Pelo caminho que levam os índices pluviométricos vamos rapidamente chegar lá. É que vamos chegar à conclusão de que sem água não há vida, uma verdade insofismável. Antes de haver Estado de Israel, a administração britânica tinha as contas feitas para aquele território e não permitiam que a população ultrapassasse os dois milhões de pessoas porque a zona é muito árida e os recursos alimentares e os recursos aquíferos não davam para mais. Quando nasceu o Estado de Israel a água foi de imediato considerada como uma questão fulcral para a soberania e sobrevivência do país. Hoje, como todos sabemos, Israel dá cartas na gestão da água, tem uma agricultura pujante que permite inclusive exportar. E mais importante, naquele território vivem treze milhões de pessoas. Lá está, sem água não há vida!