Tempo
|
Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
A+ / A-

A China e as democracias liberais

06 jun, 2022 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Depois de ter sido um modelo de referência quanto ao crescimento económico a economia chinesa estagna. O regime chinês desconhece o Estado de direito, os direitos humanos e qualquer autonomia privada e pessoal. É este regime tirânico que Xi Jinping considera superior à democracia.

O presidente chinês, Xi Jinping, defende que o regime do seu país é superior ao das democracias liberais do Ocidente. Durante muitos anos o crescimento económico da China espantou o mundo. Mas esse crescimento parece ter chegado ao fim, em boa parte por causa da crescente interferência do partido comunista chinês na gestão das empresas.

Investidores estrangeiros estão a abandonar a China, por já não suportarem o controle do partido comunista e duvidarem da sua capacidade de liderança. A opção de Xi de prosseguir uma política de zero covid, com severos e prolongados confinamentos, nomeadamente em Shangai, levanta dúvidas sobre a liderança – será que o partido comunista voltou as costas ao crescimento económico?

Xi Jinping não respeita os direitos humanos, nomeadamente no cruel tratamento da comunidade muçulmana uigur. Para Xi, os direitos humanos seriam uma invenção ocidental para prejudicar a China.

O partido comunista chinês rejeita a separação de poderes que existe nas democracias liberais, bem como o chamado Estado de direito. Na China os traços do regime autoritário são levados ao extremo. O partido confunde-se ali com o Estado. Elementos do partido comunista e os seus apaniguados ditam a lei no país.

O poder do partido revela-se também na vigilância apertada de que são alvo os chineses. É incentivado que os cidadãos vigiem e denunciem outros cidadãos. Os direitos de propriedade das pessoas são frequentemente violados pelo partido e pelos seus aliados.

É assim que as autoridades chinesas logram afastar em semanas milhões de habitantes de zonas do território que pretendem destinar a outros fins – contruir uma barragem, por exemplo, ou iniciar uma exploração mineira. A autonomia pessoal e privada é uma miragem na China, onde prevalece a tirania.

É esta “superioridade” que Xi Jinping valoriza, e que vários regimes autocráticos em maior ou menor grau procuram imitar. Mas é algo que nos faz preferir viver numa democracia liberal, não obstante os defeitos que nela possam existir.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.