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Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​Nos extremos, partidos de protesto

25 out, 2021 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


A prazo, à esquerda e à direita os extremos serão marginalizados do poder, restando-lhes serem partidos de protesto. Nem tudo é negativo no caótico processo negocial do Orçamento para 2022.

Não sabemos se o Orçamento do Estado para 2022 será aprovado no parlamento. Nem, se for aprovado, conhecemos o custo das cedências do governo à extrema-esquerda. A possiblidade de eleições é real.

No entanto, essas incertezas não impedem retirar da situação atual algumas ideias. A primeira é que a “geringonça” acabou. PCP e BE têm sido castigados nas urnas pelo seu apoio ao governo PS. Por isso, comunistas e bloquistas querem regressar à sua tradicional categoria de partidos de protesto anticapitalista.

A habilidade de António Costa de, não tendo ganho as eleições em 2015, ter formado governo não poderia repetir-se indefinidamente, ano após ano. A. Costa manteve-se firme no europeísmo do PS, bem como na atenção aos mercados e à sua influência na dívida do Estado e no nível dos respetivos juros. Assim o primeiro-ministro reconheceu implicitamente que a unidade da esquerda, incluindo a extrema-esquerda hostil à democracia liberal, era uma fantasia.

Compreende-se que a posição europeísta de A. Costa tenha caído mal à nostalgia do PCP em relação ao comunismo soviético e à inspiração marxista do BE. Mais tarde ou mais cedo a “geringonça” teria que quebrar de vez.

Do lado da oposição ao governo socialista também parece ter falhado o recurso à extrema-direita do Chega. Há meses, alguns membros do PSD, descontentes com a brandura de Rui Rio em relação ao governo, apostaram no Chega para ajudar a destronar o ainda líder do PSD. Falharam, pois quem desafia Rio nas eleições diretas do partido é Paulo Rangel, que nada quer ter a ver com o Chega. O mesmo se diga de Carlos Moedas, agora presidente da Câmara de Lisboa. O Chega poderá crescer se houver eleições, mas manter-se-á um partido de protesto.

Tudo indica que o Orçamento para 2022 será o último condicionado pela extrema-esquerda. A prazo, a tendência é clara: à esquerda e à direita os extremos serão marginalizados do poder, restando-lhes serem partidos de protesto. Em suma, nem tudo é negativo no caótico processo negocial do Orçamento para 2022.

Comentários
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  • Ivo Pestana
    25 out, 2021 Madeira 19:24
    Eleições só são boas para o Chega e a abstenção. Levamos com uma pandemia, temos ministros fracos e outros assim assim. Portanto é complicado. Entendam-se, porque tal como a Justiça, a política está mal vista.
  • J M
    25 out, 2021 Seixal 12:53
    “Os custos das cedências do governo à ”extrema-esquerda” No fundo, apenas querem proporcionar uma melhor qualidade de vida aos portugueses mais desfavorecidos. Se reduzissem com as isenções fiscais às grandes multinacionais instaladas no nosso país, houvesse uma melhor redistribuição da riqueza, e não desviassem todos os meses milhões de euros para offshores, provavelmente o dinheiro chegava e sobrava para pagar esses “custos”. O papão do comunismo soviético e o marxismo já não pega. A URSS já acabou (e ainda bem) à muitos anos. Nos dias de hoje, no nosso país, ninguém quer nem pretende impor um regime comunista ou marxista, isso é a cassete da direitalha que passa todos os dias a deturpar a realidade social. Dizem-se democratas liberais, e assim, vão desviando e intoxicando a opinião pública com as reformas necessárias para o país, como não soubéssemos nós, que as reformas pretendidas, apenas serviriam para tirar direitos e liberdade aos cidadãos. A Troika serviu-nos de exemplo.
  • Cidadao
    25 out, 2021 Lisboa 07:31
    Isso é mais um desejo seu, que a realidade dos factos. A Direita para voltar ao Poder, necessitará de se entender com o Chega! visto que o CDS desapareceu e o PSD sozinho, não consegue. E na Esquerda, seja com o PCP, seja com o BE, o PS terá de fazer o mesmo ou só haverá governos minoritários.