Tempo
|
Euranet
Euranet
“Compromisso Verde” é um podcast quinzenal sobre crescimento sustentável e transição energética. Da pandemia dos plásticos aos pecados da chamada moda rápida, cada episódio um tema. Uma nova edição disponível às quartas-feiras às 18h00. Esta é uma parceria Renascença Euranet Plus.
A+ / A-
Arquivo

Euranet

"Guerra na Ucrânia está a provocar atenção mais reduzida para o conflito israelo-palestiniano"

10 jun, 2022 • José Pedro Frazão


Pedro Marques, eurodeputado eleito pelo PS e vice-presidente do grupo responsável pelas relações externas, faz parte de uma delegação que a partir de domingo visita Israel e a Palestina. O objetivo é "dar um sinal claro ao Governo israelita".

Com os olhos do mundo na Ucrânia, os socialistas europeus avançam com uma delegação de eurodeputados a Israel e à Palestina. Querem a sobrevivência do Governo israelita e a relegitimação democrática da Autoridade Palestiniana. Pelo meio deixam críticas à Comissão Europeia por não libertar dinheiro para o governo de Ramallah.

Pedro Marques, eurodeputado eleito pelo PS, vice-presidente do grupo dos socialistas europeus responsável pelas relações externas, faz parte de uma delegação que a partir de domingo visita Israel e a Palestina.

Estão agendadas reuniões com delegações da sociedade civil e audiências com politicos como o Primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestiniana, Mohammad Shtayyeh, o Ministro da Saúde de Israel e Líder do Meretz, Nitzan Horowitz e o Ministro da Saúde e Líder do Partido Trabalhista de Israel, Merav Michaeli.

Quais são os principais objetivos desta visita a Israel e Palestina ?

Esta visita tem como propósito dar um sinal claro ao Governo israelita, numa altura em que a situação política em Israel é complexa. Existe um risco de uma desagregação da coligação governamental, o que, para nós, é negativo, porque a simples cessação de funções do governo Benjamin Netanyahu constituiu uma oportunidade para Israel e para o próprio processo de paz entre Israel e Palestina. Estaremos com os ministros e com responsáveis da própria sociedade civil de Israel e transmitiremos esta mensagem aos partidos políticos da nossa família política em Israel.

Há respostas que são do foro interno político de Israel mas a interrupção desta solução política não seria uma boa notícia para Israel e certamente também não seria boa para o processo de paz israelo-palestiniano.

Evidentemente, também transmitiremos as nossas preocupações relativamente ao recente assassinato da jornalista americana de origem palestiniana e a falta de um processo de investigação adequado a essa situação.

Nesta fase, cabe-nos apoiar a continuidade do Governo e ao mesmo tempo falar com franqueza com os nossos parceiros políticos e também com as autoridades israelitas sobre questões como a sistemática ocupação de territórios palestinianos e a criação de colonatos que não tem parado.

Traremos exatamente o mesmo tipo de mensagem às autoridades palestinianas. Preocupa-nos a falta de reconhecimento pleno do estado palestiniano e a falta de aplicação da solução dos dois estados como a melhor solução para o processo de paz. Apoiaremos de facto essa solução e ao mesmo tempo temos estado a exercer uma forte pressão política para que, até à nossa visita, seja resolvido o problema do financiamento da autoridade palestiniana no âmbito da Cooperação Europeia. Consideramos inaceitável que esse problema não tenha sido ainda resolvido. Já deixámos clara essa posição à presidente da comissão Europeia em vários momentos.

Diremos também aos palestinianos que independentemente de percebermos as fragilidades da situação da autoridade palestiniana, esta não é beneficiada pelo facto de não se realizaram eleições para o governo há demasiado tempo. Insistiremos também na necessidade da realização de eleições livres nos territórios palestinianos.

A União Europeia tem sido uma das forças internacionais desde sempre muito empenhada no apoio ao lado palestiniano. A ajuda financeira que tem sido fornecida ao longo das décadas pela união europeia é um compromisso inabalável? Se não for cumprida essa revitalização democrática dos órgãos palestinianos, a própria ajuda europeia estará em casa ?

A nossa parceria com o Estado de Israel e com seu governo deve continuar a ser forte. não temos nenhuma ambiguidade sobre essa matéria. Precisamos de um Israel forte e democrático, com direito a viver em segurança e em paz. Mas, ao mesmo tempo, se fomos críticos em particular no período dos governos de Netanyahu e sobre a sua visão não só para Israel mas também para o processo de paz, mantemos também a exigência do lado palestiniano. Apoiaremos inequivocamente a necessidade do estabelecimento do processo de paz, da necessidade do funcionamento da solução dos dois estados, mas também queremos que a Autoridade Palestiniana faça a sua parte. Desde logo isso passa pela realização das eleições democráticas.

Neste momento não equacionar acrescentar as consequências desastrosas da administração Trump sobre a situacao do processo de paz e em particular sobre a Palestina, com cortes brutais ao financiamento da Autoridade Palestiniana. Pelo contrário opomo-nos em particular ao tipo de condicionalidades que por exemplo o comissário Oliver Varhelyi, responsável pela pasta do alargamento, pretenderia apresentar aos financiamentos da autoridade Palestiniana que, do nosso ponto de vista, tem que ser apoiada sem uma atitude parecida à de Donald Trump.

A Guerra na Ucrânia nao faz divergir agora a atenção da comunidade internacional sobretudo para processos tão longos como o conflito israelo-palestiniano?

As soluções propostas pelo Presidente Obama não tiveram acolhimento, e a orientação americana já era maior para a área do Pacífico. A falta de atenção ao conflito agravou-se com Trump e as soluções propostas para o conflito revelaram-se desequilibradas. A ausência de reequilibrio dessas propostas no contexto dos Acordos de Abraão não ajudou a melhorar a situação. Há de facto agora um risco de continuação de uma atenção mais reduzida, em face da nova prioridade global ao conflito de agressão russa na Ucrânia.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.