Tempo
|
Euranet
Euranet
“Compromisso Verde” é um podcast quinzenal sobre crescimento sustentável e transição energética. Da pandemia dos plásticos aos pecados da chamada moda rápida, cada episódio um tema. Uma nova edição disponível às quartas-feiras às 18h00. Esta é uma parceria Renascença Euranet Plus.
A+ / A-
Arquivo

Bruxelas lança plano "ambicioso" para reforçar conectividade no espaço

16 fev, 2022 • Vasco Gandra, correspondente em Bruxelas


Devido aos novos desafios mas também a uma concorrência internacional crescente, e no atual contexto geopolítico de grande tensão no leste europeu -, a Comissão considera que a política espacial da UE precisa de evoluir e reforçar-se, tornando-se o espaço uma área de afirmação da soberania do bloco comunitário.

A Comissão Europeia apresentou esta semana duas iniciativas para reforçar a eficiência e segurança dos sistemas de comunicações, baseados em tecnologia espacial, e para gerir e proteger o tráfego espacial.

As tecnologias espaciais estão cada vez mais presentes na vida quotidiana dos europeus. Por exemplo, o programa espacial da UE - através do sistema de navegação por satélite Galileo e do programa de observação da terra Copernicus - proporciona dados e serviços para um vasto leque de aplicações utilizadas no dia a dia, dos transportes à agricultura e da resposta a situações de crise à luta contra as alterações climáticas, entre outras possibilidades.

Devido aos novos desafios mas também a uma concorrência internacional crescente, e no atual contexto geopolítico de grande tensão no leste europeu -, a Comissão considera que a política espacial da UE precisa de evoluir e reforçar-se, tornando-se o espaço uma área de afirmação da soberania do bloco comunitário.

O plano deverá apoiar a proteção das infraestruturas críticas, a vigilância, as ações externas, a gestão de crises e as aplicações críticas para a economia, a segurança e a defesa dos 27.

Para que serve este plano?

Segundo a Comissão, o plano para uma conectividade segura visa oferecer acesso móvel e fixo à banda larga por satélite, acesso aos satélites para os transportes, redes de satélites reforçadas e serviços de banda larga e em nuvem por satélite. Deverá também apoiar a condução autónoma, a saúde em linha, o trabalho e a educação inteligentes, a conectividade em voo e marítima e a agricultura inteligente.

Pode por exemplo contribuir para a vigilância de regiões fronteiriças, marítimas e isoladas. Ou garantir a conectividade em zonas geográficas de interesse estratégico para a Europa, como África e o Ártico. Mas também para missões de ajuda humanitária, telemedicina e emergências marítimas de busca e salvamento. E ainda para comunicações institucionais seguras (embaixadas, forças policiais).

Bruxelas prevê um custo total de 6 mil milhões de euros, sendo a contribuição da União de 2,4 mil milhões de euros e o restante a cargo dos Estados-membros, agências da UE e setor privado.

Um dos aspetos importantes no sistema da UE para uma conectividade espacial segura é a resiliência e a necessidade de garantir a proteção das fronteiras cibernéticas face às ciberameaças, num mundo cada vez mais digitalizado.

Na apresentação do plano, o comissário do Mercado Interno, Thierry Breton, deu um exemplo das consequências de ciberataques de grande escala. “Vimos recentemente, em Portugal, como os ciberataques podem fazer cair toda a rede e é por isso que é tão importante que tenhamos este sistema de apoio".

Melhorar o tráfego espacial

A realidade é que o espaço está cada vez mais congestionado e o número de detritos espaciais é cada vez maior. "Estima-se que haja cerca de 130 milhões de detritos. São detritos de centímetros mas, à velocidade a que vão, mesmo um detrito de um centímetro tem um impacto considerável se encontrar um satélite. Pode, inclusive, destruí-lo", explica o comissário francês. Thierry Breton admite que haja atualmente cerca de 10.500 satélites em órbita e que na próxima década sejam lançados mais de 20 mil.

Devido ao aumento do número de satélites em órbita, de pequenos satélites e de iniciativas privadas no espaço, a Comissão considera que a resiliência e a segurança dos meios espaciais da UE e dos 27 estão seriamente em risco.

No entender do executivo comunitário, é necessário reforçar a capacidade tecnológica para identificar e rastrear destroços espaciais. Bruxelas quer desenvolver iniciativas concretas, logísticas e legislativas, para promover a utilização segura do espaço e parcerias internacionais em matéria de gestão do tráfego.

Desde 2016 que a UE dispõe de uma capacidade de vigilância e rastreio de objetos no espaço. Só em 2021, os parceiros que fazem parte deste consórcio europeu partilharam 100 milhões de medições através da sua plataforma de partilha de dados.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.