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Todas as semanas, um convidado especial fala sobre os grandes temas da Europa e do mundo no programa "Decidir Europa", com edição do jornalista José Bastos.
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Decidir Europa - Francisco Ferreira de Paris a Glasgow - 29/10/2021
Decidir Europa - Francisco Ferreira de Paris a Glasgow - 29/10/2021

DECIDIR EUROPA

Francisco Ferreira de Paris a Glasgow

29 out, 2021 • José Bastos


Presidente da ZERO analisa a importância da cimeira climática de Glasgow no combate às alterações climáticas.

O caminho percorrido para chegar à COP26 de Glasgow não tem sido fácil. A história diplomática das negociações climáticas tem estado marcada por insucessos como Copenhaga em 2009, mas também por momentos positivos como o acordo de Paris de 2015 ou o peso crescente da ciência nas últimas cimeiras sobre as alterações climáticas.

A trajetória das negociações dos últimos 25 anos tem também projetado focos de luz e esperança suportados por várias mudanças científicas e culturais que retiraram os debates ambientais do ostracismo em que se encontravam no início dos anos 90 do século XX.

Foi na COP3 de Kyoto que surgiu o protocolo, que leva o nome da cidade japonesa, um documento histórico em que os países industrializados assumem o compromisso de reduzir a sua pegada de carbono, reconhecendo que foram os países ricos os que mais contribuíram para a crise climática.

Depois do fracasso de Copenhaga 2009 (COP15), nasce em 2015 o acordo de Paris, um documento assinado por quase 200 países, numa cimeira marcada pela importância conquistada nas negociações pela comunidade científica e sociedade civil (via ONG). Mas a aliança entre a diplomacia e ciência no compromisso de limitar o aquecimento global a 1,5 graus contrasta com a ausência de sanções para os incumpridores.

O acordo de Paris obriga os países a apresentar regularmente o NDC, um documento em que informam dos seus planos para reduzir as emissões. Com os planos de descarbonização já comunicados, a temperatura global deverá subir 2.7 graus no final do século XXI e as emissões de CO2 aumentarão 30% em 2030.

Assim, há arestas de Paris a limar ainda em Glasgow, tendo também como base o Green Deal europeu, numa altura em que a vontade política mundial é ainda insuficiente para mitigar a crise climática, mas os custos sociais da transição energética são enormes.

A análise é de Francisco Ferreira, engenheiro do ambiente, professor na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e presidente da ONG Zero, Associação Sistema Terrestre Sustentável.

Este conteúdo é feito no âmbito da parceria Renascença/Euranet Plus – Rede Europeia de Rádios. Veja todos os conteúdos Renascença/Euranet Plus

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