Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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A UE e os incêndios florestais

11 jul, 2019 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Está operacional o novo mecanismo da UE para apoiar Estados membros a braços com situações de catástrofe. O comissário europeu do setor pediu desculpa aos portugueses por a UE ter falhado em 2017.

Foi esta semana divulgado, em Madrid, que está finalmente operacional o novo mecanismo da UE para apoiar Estados membros a braços com situações de catástrofe, como foram os incêndios florestais em Portugal em 2017 e depois na Grécia.

O novo mecanismo europeu de proteção civil, chamado RescEU, conta agora com 13 meios aéreos (sete aviões e seis helicópteros da Croácia, França, Espanha, Itália e Suécia). Como é natural, Portugal reserva os seus meios para combater os incêndios no país. O RescEU projeta alargar os seus recursos, passando a dispor mais meios aéreos, bombas de água especiais, centros de busca e salvamento, hospitais de campanha e equipas médicas de emergência.

Creio que é uma boa notícia para Portugal, até porque em outubro de 2017 o auxílio europeu falhou clamorosamente. O comissário europeu do setor, Christos Stylianides, pediu desculpa aos portugueses por não ter conseguido encontrar nessa altura meios disponíveis na UE e disse aos jornalistas em Madrid que essa foi “uma das situações mais dolorosas da minha vida”. E recordou a sua “angústia perante as respostas dos ministros europeus (por ele telefonicamente contactados), dizendo que não tinham meios”.

Ao que parece, a UE aprendeu com o falhanço de há dois anos e montou um mecanismo mais credível.

Não compreendo o comentário depreciativo do presidente da Liga de Bombeiros, J. Marta Soares, quanto a este novo dispositivo europeu. Poderá funcionar melhor ou pior, mas será sempre um instrumento adicional de combate a incêndios florestais. Parece que Marta Soares receia, como sempre, que a autonomia dos bombeiros portugueses seja beliscada no teatro de operações. Então o essencial não será o combate eficaz aos fogos?
Comentários
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  • Bandalheira
    11 jul, 2019 19:57
    Não Francisco, o essencial é que o sr. Marta Soares mantenha seu quintalinho e as suas prerrogativas. Isso dos fogos, salvar florestas e pessoas logo se vê. Depois do que se passou em Pedrogão, este senhor e a Liga de bombeiros deviam ter vergonha de dizer ou cobrar fosse o que fosse. Na hora da verdade, quando as populações precisaram dos bombeiros, o que encontraram foi um bando de incompetentes, sem formação nem competência para a tarefa para a qual são pagos! O que é que esta gente faz nos quarteis quando não há fogos? Jogam às cartas?