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Paulo Rangel e José Luís Carneiro debatem a política nacional e europeia. Quarta às 13h05 e às 23h20
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Casa Comum 05/06/2019
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Clique na imagem para ouvir o programa na íntegra. Foto: Madoka Ikegami/EPA

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Rangel e Assis analisam Trump em Londres e criticam Marcelo

05 jun, 2019 • Eunice Lourenço , José Pedro Frazão


A forma desrespeitosa como Trump se referiu à União Europeia e o acenar com um acodo comercial "que nada tem de espectacular" são a análise feita por Francisco Assis e Paulo Rangel no prigrajma de hoje. No plano interno, os comentadores da Renascença lembram que o Presidente da República não deve ser comentador.

A visita de Donald Trump ao Reino Unido culminou com uma promessa do Presidente dos EUA de um "fenomenal acordo" de comércio pós-Brexit com os britânicos e fortes críticas a Jeremy Corbyn e ao "mayor" de Londres. Para Paulo Rangel, foi mais um episódio de um "folhetim ou novela", que é o tom tipicamente usado pelo actual Presidente norte-americano "em qualquer anúncio que faça". O social-democrata acha que o acordo "não vai ser nada fenomenal para os britânicos". Para se perceber Trump, afirma Rangel, é preciso que se veja que ele exagera em tudo o que diz. O Presidente americano terá tentado ter alguma influência no processo político inglês, nomeadamente entre os Conservadores. Depois tentou criar ruído com Corbyn e Kahn. "Conseguiu criar uma série de casos", afirma Rangel que não deixa, no entanto, de criticar que o líder do Partido Trabalhista (que é potencial candidato a Primeiro-ministro no Reino Unido) tenha participado numa manifestação de rua contra a ida de Trump a Londres. Resumindo: os resultados desta viagem ao Reino Unido acabam por ter, apenas, resultados a nível interno numa possível campanha pessoal para se relançar para novo mandato na Casa Branca.

Por seu lado, Francisco Assis diz que esta postura de Trump na Europa não espanta. "Ele fez todo o mandato sempre em campanha", afirma. "A forma como se refere à UE no discurso final junto de May é inaceitável e desrespeitoso para a União Europeia", diz Assis, que também critica Corbyn pela presença na manifestação.

Marcelo confunde Presidente com comentador

Marcelo Rebelo de Sousa confundiu os planos de Presidente da República e de comentador político na forma como analisou os resultados das eleições europeias – a opinião é comum ao social-democrata Paulo rangel e ao socialista Francisco Assis.

No programa Casa Comum, ambos criticam o Presidente da República que, na sexta-feira, ao fim do dia, fez uma análise em inglês na Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), em que disse que o centro-direita estava em crise e deu por garantida a vitória e o reforço do PS nas legislativas de outubro.

“Confundiu os planos de comentador com o de Presidente”, disse Paulo Rangel, para quem Marcelo “foi além do que é expectável”. Ainda assim, o eurodeputado social-democrata, apoiante “impenitente e sem reservas” do Presidente desculpabiliza um pouco Marcelo por estar a falar num ambiente internacional.

“Fez uma análise global, fez mal em fazê-lo, devia ser mais autocontido, devia ter tido uma certa restrição porque faz parte da sua missão”, remata Rangel, que foi esta quarta-feira reeleito vice-presidente do Partido Popular Europeu. Já quando à crise ou não do centro-direita, Rangel diz que não vê “uma coisa preocupante”.

Assis, por seu lado, acha que devem ser os partidos de centro-direita a fazer essa avaliação e não o Presidente, que considera ter feito uma “declaração absolutamente insólita”.

Marcelo, afirmou o ex-eurodeputado socialista, “não tem de fazer comentário político nenhum, nem em português, nem em inglês, nem em chinês, seja em que língua for”. Tem é “de estar acima da função de comentador político que foi em tempos”, continua Assis, salientando que o que o Presidente diz “tem consequências na forma como os portugueses percebem a realidade política” e, por isso, “o Presidente da República até tem de se sentir mais inibido do que o comum dos portugueses, pelas funções que desempenha”.

Para Francisco Assis é “inaceitável” que o Presidente faça o tipo de considerações que Marcelo fez na FLAD. E conclui: “Foi uma série de declarações completamente disparatadas e devem merecer uma clara reprovação pública.”

Este conteúdo é feito no âmbito da parceria Renascença/Euranet Plus – Rede Europeia de Rádios. Veja todos os conteúdos Renascença/Euranet Plus

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