Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
A+ / A-

Precisamos de mais imigrantes

16 mai, 2019 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Faltam trabalhadores na economia portuguesa. Para fazer aquilo que os portugueses já não querem fazer e para ocuparem empregos qualificados.

A economia portuguesa tem falta de pessoas para trabalharem em praticamente todos os sectores de atividade, da agricultura à construção civil, passando pelos serviços (como os ligados ao turismo). A baixíssima taxa de natalidade em Portugal indica que, pelo menos a médio prazo, o problema se vai agravar.

Claro que a queda do desemprego é excelente. Mas a outra face da moeda está na atual escassez de mão-de-obra. No final da década de 60 do século passado, a forte emigração de portugueses para países como a França, a par dos que saíam para não irem para as guerras coloniais em África, trouxe uma situação desse tipo.

Felizmente, a entrada de estrangeiros para trabalharem no nosso país tem vindo a subir desde há cinco anos. Também é positivo que, segundo o ministro da Administração Interna, a principal nacionalidade dos novos imigrantes seja brasileira. É natural que quem vem do Brasil tenha mais facilidade em se integrar em Portugal do que em países com outras línguas.

Mas não haja ilusões: Portugal não é um país atrativo para potenciais imigrantes. A nossa economia cresce, mas não está em “grande crescimento”, contra o que afirmou o ministro Eduardo Cabrita. Os empregos que muitos imigrantes conseguem obter são precários e mal pagos. Desgraçadamente, não faltam casos de inaceitável exploração de imigrantes, sobretudo asiáticos na agricultura. E esperemos que se não repitam agressões da GNR a imigrantes asiáticos.

Quanto à também indispensável imigração de pessoas altamente qualificadas, as universidades portuguesas têm dado um bom contributo, atraindo alunos e professores estrangeiros. O clima português é agradável e os portugueses são em geral simpáticos para os estrangeiros.

Já não são famosas as perspetivas de emprego qualificado, em Portugal, para alunos estrangeiros formados em universidades portuguesas. Nem, de resto, para alunos portugueses. Por isso não parece provável que regressem muitos dos jovens portugueses com altas classificações académicas que emigraram.

Este conteúdo é feito no âmbito da parceria Renascença/Euranet Plus – Rede Europeia de Rádios. Veja todos os conteúdos Renascença/Euranet Plus

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Cidadao
    17 mai, 2019 Lisboa 14:08
    Mão-de-obra não qualificada, quase gratuita, para ser convenientemente explorada. Ou mão-de-obra qualificada, mas paga ao preço da chuva. Era tão bom, não era?