Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​A “democracia” bolivariana

10 jan, 2019 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Portugal e a UE, tal como muitos outros países, não participarão na posse de Maduro. É o seu segundo mandato, cada vez mais isolado internacionalmente e com o povo da Venezuela cada vez mais pobre.

Nicolas Maduro toma hoje posse de Presidente da Venezuela. É o seu segundo mandato. No primeiro escavacou a democracia e a economia venezuelanas. A operação populista tinha começado com Hugo Chavez, que distribuiu dinheiro às camadas pobres, mas pouco ou nada fez para tirar o seu país da dramática alternativa entre uma direita corrupta e uma esquerda irresponsável e pouco democrática.

Maduro não possui o carisma e a inteligência tática de Chavez. Por isso o país com as maiores reservas mundiais de petróleo tem agora falta de combustíveis. Aliás, falta tudo na Venezuela, desde bens alimentares até medicamentos, o que tem levado a um brutal surto emigratório. Calcula-se que, em média, mais 5 mil pessoas saiam da Venezuela por dia, com destino a outros países sul-americanos. Hoje haverá quase 2 milhões de venezuelanos a viver no estrangeiro, contra 700 mil em 2015, quando a crise já era aguda.

País rico em petróleo, a Venezuela atraiu no passado muitos europeus, incluindo milhares de portugueses, sobretudo originários da Madeira. Uma significativa parte deles já regressou a Portugal; muitos relatam a terrível situação de insegurança e de repressão em que viveram.

Numerosos portugueses com pequenos comércios naquele país tiveram que enfrentar as determinações de Maduro de venderem abaixo do custo. E Maduro proibiu os empresários de despedirem qualquer trabalhador. É com esse tipo de barbaridades que o presidente da Venezuela tenta controlar uma híper inflação e um desemprego galopante…

Portugal, como a UE, não estará representado a nível político na cerimónia de posse de Maduro. A UE não considera livres e democráticas as últimas eleições presidenciais na Venezuela. Pelo menos 14 países da América Latina não reconhecem Maduro como presidente legítimo. Os Estados Unidos e o Canadá também não. Claro que Maduro e os que ainda o seguem atribuem a situação trágica do povo venezuelano ao “inimigo externo” – os EUA, que eles acusam de promover ações violentas no país, para forçar uma mudança de regime.

O Presidente Trump, com a sua inépcia diplomática, ajudou Maduro ao ameaçar invadir a Venezuela. Uma ameaça absurda, mas que – tal como o bloqueio dos EUA a Cuba há décadas – serve apenas para desresponsabilizar as autoridades venezuelanas, permitindo-lhes culpar os americanos pela desgraça do seu povo.

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  • Jorge
    10 jan, 2019 Seixal 16:11
    "Demagogia feita à maneira é como queijo numa ratoeira". Tem de ir passar uns dias à Venezuela para se inteirar melhor na situação e perceber qual a verdadeira causa que está a provocar o declínio do país. Aconselho-o a ir de mente aberta, o que implica deixar em Portugal os seus tiques sobejamente reconhecidos e admirados, desde o famigerado estado novo até aos dias de hoje..
  • Anónimo
    10 jan, 2019 13:09
    A "democracia" brasileira. A "democracia" americana. A "democracia" turca. A "democracia" saudita. Porque será que a direita radical só olha para a Venezuela?