Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​Um caso deprimente

09 jan, 2019 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


A alegada corrupção em cantinas da Força Aérea nada contribui para a recuperação do prestígio dos militares em Portugal.

No Tribunal de Sintra começou nesta semana o julgamento de 68 arguidos que alegadamente terão participado num esquema de corrupção em cantinas da Força Aérea. Claro que só os tribunais – este e eventualmente outros de instâncias superiores – poderão considerar culpados ou inocentes os arguidos. Mas na primeira audiência do julgamento um major da Força Aérea na reserva confessou o seu envolvimento nesse esquema de corrupção, no qual estariam também outros militares e fornecedores.

A confirmar-se, este esquema concretizava-se com os fornecedores a entregarem às cantinas bens alimentares em quantidades muito inferiores às que faturavam. O dinheiro da diferença era repartido por militares – incluindo alguns de alta patente, que receberiam mais – e os fornecedores. E também haveria militares que recebiam para fecharem os olhos.

Segundo o diário “Público”, o Ministério Público está convencido de que este esquema terá funcionado durante décadas. E o major acima referido disse que ele durava há 20, 30 ou mesmo 40 anos. A ser verdade, estamos perante mais um deprimente caso em que as Forças Armadas portuguesas falham na sua postura ética e legal.

O caso de Tancos, ainda que não totalmente esclarecido, já revelou, no mínimo, negligência do Exército na guarda e controlo de armas e munições à sua guarda. O presente caso, de corrupção mais “tradicional” (recordo-me de, antes do 25 de Abril, ter sido descoberto um esquema semelhante nas Forças Armadas portuguesas que combatiam na Guiné-Bissau), nada contribui para a recuperação do prestígio dos militares em Portugal. O que, obviamente, é mau para o nosso país.

Comentários
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  • Serafim Lopes
    09 jan, 2019 Azambuja 18:42
    A RR, hoje em dia, também não deixa de ser um caso deprimente.
  • José Cruz Pinto
    09 jan, 2019 Ílhavo 16:13
    E note-se que estamos a falar de militares que são, e cito, "os melhores do mundo, em terra, no mar e no ar". Imaginem só se não fossem! À falta de algo que nos distraia de toda esta "tristeza", observa-se apenas o facto curioso de as messes em causa, assim como os paióis assaltados, ficarem todos em terra firme (tanto quanto se sabe), ... mas nem sempre alguns dos militares supeitos. Parece que só a Marinha escapa, ... porventura excepto quando deixam cair munições numa estrada - em terra, também.