Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
A+ / A-

​O recuo de Macron

07 dez, 2018 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


A França mergulhou numa grave crise social e política, que ninguém sabe como e quando irá acabar. Macron perdeu credibilidade.
Macron foi eleito Presidente da República em maio de 2017. Dois meses depois as sondagens indicavam que ele tinha a confiança de 64% dos franceses. Esta semana o nível da confiança em Macron baixou para 21%.
Ex-ministro da Economia, ex-socialista, Macron apresentou-se como um independente, europeísta e centrista, procurando distinguir-se da classe política tradicional. O seu movimento, que só tarde passou a partido, conquistou uma larga maioria nas eleições legislativas que se seguiram à sua entrada no Eliseu.

O jovem presidente conseguiu realizar algumas reformas, nomeadamente na área laboral. Mas suscitou uma enorme reação de descontentamento e revolta na maioria dos franceses.

As ações de rua do movimento informal dos “coletes amarelos”, que descambaram para a violência, levaram o seu governo a recuar – algo habitual em presidentes franceses que antecederam Macron, mas que muita gente – incluindo eu próprio – julgava que ele jamais faria. Ou seja, Macron perdeu credibilidade. E mergulhou a França numa grave crise social e política, que ninguém sabe como e quando irá acabar.

Toda a gente protesta e reivindica. Os franceses parecem querer mais benefícios do Estado social, mas simultaneamente não aceitam pagar mais para esse Estado… Por outras palavras, a França arrisca-se a tornar-se ingovernável.

Considerado arrogante e pouco dado a ouvir os outros, Macron afunda-se por causa do mesmo sentimento de desilusão com os políticos habituais que o levou ao poder. E manifestou alguns “tiques” gaulistas – sem as extraordinárias credenciais do general de Gaulle.

É uma situação penosa para a França e para a Europa comunitária, que Macron defendia com convicção e energia.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Jorge
    09 dez, 2018 Seixal 16:06
    "Os franceses parecem querer mais benefícios do Estado social, mas simultaneamente não aceitam pagar mais para esse Estado…" ?????? É por haver gente desta, a pensar, a escrever e a tentar desviar os verdadeiros problemas das sociedades atuais, que a riqueza mundial está na mão de 1% da população. É a ganancia do capitalismo do e dos seus seguidores, como o senhor, que provocam estas crises sociais.
  • Cidadao
    08 dez, 2018 Lisboa 15:55
    Não tente fazer a nossa cabeça, porque não consegue. Eles não querem mais beneficios do Estado Social sem quererem pagar. Eles consideram e muito bem, que pagam demasiado em impostos, para o muito pouco que o Estado Social lhes dá, depois de sucessivos cortes em Serviços e apoios Sociais, mas criando novos, mantendo e nalguns casos aumentando, os impostos para esse mesmo Estado Social. Quer dizer, aumentam impostos e descontos, estagnam salários e o retorno do Estado Social é cada vez menor. É contra isso que eles protestam, e é pena que por cá, prefiram a guerra do teclado nas redes sociais em vez de virem para a Rua protestar à séria. Se há motivos para protestar em França, o que será por cá, com os maiores impostos de sempre, salários irrisórios, e Serviços Públicos a cair de podres por falta de investimento e pessoal?