Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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Derrotas populistas

29 nov, 2018 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


A Itália e a Polónia desafiaram Bruxelas - e perderam.

A União Europeia está atolada em problemas, como é sabido. Mas ainda tem poder. Já aqui salientei a unidade dos 27 na posição face ao Brexit - os dinheiros de Bruxelas terão moderado algumas tentações de seguir o infeliz exemplo britânico.

O governo eurocético de Itália desafiou a Comissão Europeia quanto ao seu orçamento para 2019. Salvini e outros ministros garantiram que não mudariam uma vírgula. A Comissão desencadeou um procedimento por défice excessivo à Itália.

Ora, nos primeiros dias desta semana o governo italiano deu sinais de que, afinal, poderia reduzir o défice orçamental inicialmente previsto. Os juros da dívida pública da Itália a dez anos, que se aproximavam dos 4%, desceram imediatamente. E até Tsipras, primeiro-ministro grego, avisou os italianos, certamente a pensar na sua própria experiência: “cedam agora, depois será pior”.

Outro recuo importante face a instâncias europeias ocorreu na Polónia. O governo polaco interferiu com a justiça, violando um princípio básico da democracia liberal. Há cerca de um ano resolveu afastar alguns juízes do Supremo Tribunal, substituindo-os por “pessoas de confiança”. O partido governamental alegou que o Supremo Tribunal era o último bastião dos comunistas na Polónia – uma alegação sem qualquer fundamento.

A Comissão Europeia tentou, sem sucesso demover o executivo de Varsóvia. E também enviou o caso para o Tribunal Europeu de Justiça. Foi este tribunal que ordenou ao governo polaco para reverter aquela ingerência na esfera judiciária.

Os dirigentes polacos tinham multiplicado declarações de que não obedeceriam ao Tribunal Europeu. Mas obedeceram: já foi aprovada uma lei no Parlamento de Varsóvia que reintegra os 24 juízes afastados.

O partido governamental polaco continua à frente nas sondagens. Mas perdeu algum apoio popular, sobretudo nas cidades. Talvez por receio de que o seu país saia da UE, o que iria travar o afluxo de fundos europeus que têm sido decisivos para modernizar a Polónia.

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