Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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O confronto Rússia-Ucrânia agrava-se

27 nov, 2018 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Dar cabo da integração europeia junta Putin a Trump e aos eurocéticos europeus.

O bombardeamento e a tomada (violenta - 6 feridos, 27 marinheiros ucranianos feitos prisioneiros) de três navios ucranianos ao largo da Crimeia, por parte de navios, aviões e helicópteros russos, revela aquilo que toda a gente sabia: Putin não desiste de destruir a Ucrânia como país independente. Com maior ou menor intensidade, a guerra no Leste ucraniano não cessou. Claro que Moscovo diz que nela não participam militares russos, mas é óbvio que participam mesmo, disfarçados e/ou fingindo serem voluntários.

O objetivo de Putin é recuperar a Rússia da humilhação de ter deixado de ser uma superpotência (aí os ocidentais foram pouco cuidadosos). Para tal, não olha a meios, incluindo os informáticos, interferindo em eleições no estrangeiro. E a Ucrânia fez parte do império soviético, cujo colapso Putin classificou como a grande tragédia do século XX – isto, não sendo ele, nem quase ninguém na Rússia, ideologicamente um comunista.

Como compreender, então, a simpatia com que vários dirigentes ocidentais, de Trump a Salvini, passando pelo húngaro V. Orban e pela senhora Le Pen, encaram o autocrata russo? Um objetivo os une: dar cabo da integração europeia.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, garantiu que "a Europa ficará unida no apoio à Ucrânia" e repudiou as ações da Rússia no mar de Azov, um pequeno mar entre a zona contestada da Crimeia e o mar Negro. E acrescentou: "Eu condeno o uso da força russa no mar de Azov. As autoridades russas devem devolver os navios e os marinheiros ucranianos e conter futuras provocações". A NATO convocou uma reunião de urgência.

A Crimeia foi ilegalmente anexada pela Rússia em 2014, simultaneamente a desencadear uma revolta no Leste da Ucrânia, orientada por militares russos. Nada mudou entretanto, tirando este episódio de guerra naval. Mas Trump quer diminuir as sanções internacionais à Rússia.

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  • António Costa
    27 nov, 2018 Cacém 15:38
    Sempre a "defender" o seu ídolo, Vladimir Putin (estou a brincar). Realmente esta situação é no mínimo estranha. A Ucrânia tem de atravessar o estreito Kerch "controlado" pela Rússia para entrar no Mar de Azov. Tudo bem. O problema é que a Rússia para "entrar" no Mar Báltico ou no Mar Negro passa por situações idênticas. Só Vladivostok não sofre dos constrangimentos que S. Petersburgo ou Sebastopol sofrem…..Não dá para entender, a presente crise só favorece a Ucrânia.