Opinião de Luís Cabral
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A nova globalização

23 nov, 2018 • Opinião de Luís Cabral


O aspecto que melhor caracteriza a globalização na era digital é o movimento de ideias, conhecimento - numa palavra, informação.

Começa hoje (23 de Novembro) na Madeira um Congresso que comemora os 600 anos do descobrimento do arquipélago. A sessão da tarde reúne historiadores que, como seria de esperar, falarão sobre o passado; e economistas que, como seria de temer, falarão sobre o futuro. Costumo dizer que nós os economistas mal conseguimos prever o passado, muito menos o futuro; pelo que tudo o que dizemos sobre o que será o resto do séc. XXI tem de ser lido com um grão de sal.

Uma ideia que me parece interessante, mesmo que não seja totalmente verdadeira: o processo de globalização, pelo menos a partir da Revolução Industrial, está particularmente ligado à exportação de produtos físicos. Ao longo do tempo, o movimento de serviços, de capital e de pessoas tem vindo a aumentar de importância, mas continuamos pensando na globalização como movimentação de "coisas"'.

Pelo contrário, o aspecto que melhor caracteriza a globalização na era digital é o movimento de ideias, conhecimento - numa palavra, informação. Há cada vez mais pessoas que vivem num país e "trabalham" noutro: por exemplo, um analista informático tem reuniões "virtuais" com os seus colegas de trabalho ou um cirurgião que, através da alta tecnologia robótica, opera um doente no outro lado do mundo. Estes podem ser casos algo extremos, mas serão cada vez menos raros.

Embora ainda não tenha ouvido o que dirão hoje os historiadores, calculo que falarão sobre a globalização do conhecimento durante a expansão portuguesa. A empresa do Infante foi mais do que trazer pimenta da Índia ou ouro do Brasil; foi também - e alguns diriam principalmente - levar conhecimento da Europa para os outros continentes e trazer conhecimento desses outros continentes para a Europa.

Em certo sentido, os Descobrimentos deram-nos um "cheirinho" do que será a globalização do séc. XXI.

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