Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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O Presidente de Angola em Portugal

21 nov, 2018 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


João Lourenço combate com genuíno empenho a corrupção. É um passo positivo no sentido da democratização de Angola.

Chega amanhã a Portugal o Presidente de Angola, João Lourenço, para uma visita importante do ponto de vista económico e político. No Porto, J. Lourenço participa num seminário com empresários dos dois países. O presidente angolano fará, também, uma intervenção numa sessão solene na Assembleia da República.

É manifesto que Portugal não é uma prioridade para o novo poder em Angola. Mas também são evidentes as vantagens, para ambas as partes, de um bom relacionamento entre os dois países.

Embora J. Lourenço seja hoje um homem rico e um latifundiário, parece genuíno o seu empenho em lutar contra a corrupção, que era generalizada em Angola no tempo do seu antecessor, José Eduardo dos Santos. J. Lourenço foi ministro da Defesa entre 2014 e 2017; e consta que recusou negócios menos claros, incluindo a um filho seu.

J. Lourenço é Presidente da República desde há pouco mais de um ano, ao longo do qual tem atacado o enorme poder económico de J. E. dos Santos e da sua família, poder acumulado ao longo de quase quarenta anos de presidência. É surpreendente que J. E. dos Santos, que deteve o poder quase absoluto em Angola durante tanto tempo, não tenha acautelado a sua “reforma”. Agora, o novo presidente desafia o antecessor a denunciar os corruptos.

Aconteceu uma transição pacífica do poder ao mais alto nível em Angola, o que é positivo. E há indícios de que existe hoje maior liberdade de expressão naquele país, sendo de esperar que, gradualmente, a justiça angolana se torne de facto independente do poder político e militar. E que o pluralismo partidário se afirme.

Mas importa ser realista: não é tarefa fácil democratizar um país com a história de Angola. Caminhar nesse sentido já é uma grande coisa. Oxalá continue.

Comentários
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  • Juca
    21 nov, 2018 Lisboa 22:25
    Poderá estar a dar-se um golpe palaciano na sua ausência????Os sinais estão a aparecer a tensão sobe ao rubro e tudo pode acontecer. É agora ou nunca.
  • Liliana
    21 nov, 2018 lisboa 18:15
    Nos anos sessenta setenta ouviam-se as crónicas de Ferriera da Costa Angola é nossa.Lourenço vem dizer tb Angola é nossa e independente não devendo subserviência a ninguém ,nem sequer á dita justiça de Portugal somos ricos e temos valor acrescentado e o Mundo é mais que Portugal..
  • Civilização em perigo
    21 nov, 2018 Almada 17:04
    Agora parece que a sua função é falar dos outros países! E neste país à beira mar não se passa nada? - E a qualidade da nossa civilização? - E a violação de direitos humanos? - E a falta de proteção aos mais fracos. - E a transparência nas instituições? - E as constantes manobras de diversão para enganar as pessoas. - E a grande diferença entre as aparências e a realidade? Estou a ver que nada disto lhe interessa!