Opinião de Ribeiro Cristovão
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​E agora? Novo tempo?

16 nov, 2018 • Opinião de Ribeiro Cristovão


Em nenhum país como o nosso, é tão visível esta relação promíscua entre responsáveis de clubes e grupos de adeptos que julgam ter direito, e têm, a tratamento privilegiado.

Depois de tudo aquilo a que assistimos durante cinco dias e que mobilizou a quase totalidade do tempo de antena dos canais televisivos disponíveis em nossas casas, é caso para se colocar a grande interrogação: e agora? Vamos ter um novo tempo no futebol português?

Nesse período o país dividiu-se e entrou muitas vezes em contradição.

De um lado, os que prognosticavam a prisão preventiva dos dois arguidos envolvidos nos acontecimentos de Alcochete, do outro, relativamente poucos, aqueles que se têm mantido obstinadamente ao lado do ex-presidente do Sporting, continuando a ver nele o messias, o único capaz de salvar o clube em dificuldade.

Nem vale a pena entrar no emaranhado do processo, na forma como se foi desenvolvendo e terminou por agora. Basta olhar para trás e recordar que nem Ministério Público nem juiz de Instrução Criminal se entenderam para concluir que toda e qualquer opinião correrá sempre o risco de se ver confrontada com as facções discordantes em presença.

Acima e para além de tudo isto, e porque para além das pessoas há outras coisas também muito importantes, cremos estar perante uma excelente oportunidade de repensar o estado actual do futebol português e refletir sobre o futuro.

Sim, o futuro. Porque depois de tudo quando aconteceu nestes dias fica a certeza de que, em determinados aspectos, nada poderá ser como até aqui. E estamos sobretudo a pensar nas claques, em todas as claques, que não podem continuar a ser vistas e tratadas como se fossem a parte mais importante dos clubes.

Em nenhum país como o nosso, é tão visível esta relação promíscua entre responsáveis de clubes e grupos de adeptos que julgam ter direito, e têm, a tratamento privilegiado.

Veremos se vai haver coragem para arrepiar caminho.

E coragem também dos responsáveis governamentais que desde há muito tempo assobiam para o lado, fazendo de conta que o assunto não lhes diz respeito.

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