Jacinto Lucas Pires-Henrique Raposo
Um escritor, dramaturgo e cineasta e um “proletário do teclado” e cronista. Discordam profundamente na maior parte dos temas. À segunda e quarta, às 9h15
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Jacinto Lucas Pires-Henrique Raposo - Intercalares nos EUA e greves - 07/11/2018
Jacinto Lucas Pires-Henrique Raposo - Intercalares nos EUA e greves - 07/11/2018
H. Raposo

Os enfermeiros "estão numa fábrica de burnout"

07 nov, 2018


A greve dos enfermeiros a partir de dia 22 e as eleições intercalares nos Estados Unidos dão o mote à conversa com Henrique Raposo e Jacinto Lucas Pires.

Henrique Raposo não tem dúvidas: “os trabalhadores da saúde – enfermeiros e médicos – estão de facto num sistema que é uma fábrica de burnout”.

O problema não existe só em Portugal, diz, mas “os profissionais da saúde estão num momento histórico, a estoirar. Eles têm, de facto, alguma razão na greve que estão a impor. As pessoas estão a estourar”, reforça.

Os enfermeiros agendaram uma greve a partir de dia 22 e ameaçam paralisar blocos operatórios em cinco hospitais públicos até ao final do ano. A ministra da Saúde fala em “excesso” neste protesto e por isso quer fazer uma análise jurídica.

Jacinto Lucas Pires recorda o “tique do Governo anterior”, em que, “em nome da tecnocracia à la Vítor Gaspar e Troika, os políticos se queriam desresponsabilizar da política dizendo que os técnicos é que dizem que é assim”

“E acho que por vezes é um tique deste Governo, que quer estar sempre naquele corredor de estar bem com a direita e com a esquerda”, adianta.

O comentador lembra que há regras e que os políticos devem assumir as suas posições sem desculpas.

As eleições intercalares nos Estados Unidos são o outro tema em análise. Oito anos depois, os democratas voltam a ter a maioria num órgão que pode impor um maior controlo sobre as ações do Presidente dos Estados Unidos, apesar de os republicanos terem vencido as eleições para o senado.

Henrique Raposo e Jacinto Lucas Pires mostram-se satisfeitos com o resultado e Henrique Raposo chama a atenção para o “tweet” do “speech writer” do John McCain, “que disse ‘pode parecer estranho o que vos vou dizer, mas votem democratas, porque, primeiro é um ato de resistência necessário agora e depois, se quisermos reconstruir a direita temos de derrotar Trump em primeiro lugar’."

Há, pois, sinais de que os ressentimentos que levaram à eleição de Donald Trump estão a desaparecer.

Jacinto Lucas Pires destaca que o resultado destas eleições “serve de resguardo democrático político” à investigação que está a ser feita ao Presidente “e que tem no horizonte a possibilidade de um ‘impeachment’”.

O comentador chama ainda a atenção para o facto de os democratas terem voltado a ter iniciativas, o que permite “que a conversa não seja só de negação, de protesto, mas que também ponha em cheque o Presidente” com novas ideias.

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  • Cidadao
    08 nov, 2018 Lisboa 14:10
    Mas são só os enfermeiros e médicos? Então e os Guardas prisionais? E os Professores? E os agentes da PSP? E os ... Mas quem é que não está à beira do burnout, em serviços públicos sem pessoal, sem material, e apenas e só com montanhas de trabalho?
  • Cravo
    08 nov, 2018 lisboa 00:21
    Primeiro a ministra vai por em causa o direito á greve?Vai fazer análise jurídica??Por excesso???Mais um tiro no pé.Nem Clinton,Obama etc tiveram maioria na camara baixa ou camara dos representantes,aliaz esta eleição veio mostrar um ganho poucochino e futurizar que Trump será reeleito visto não ter havido onda azul e oposição estar sem líder credível etc.Recordar qTRUMP mantem maioria no SENADO E SUPREMO TRIBUNAL e empenhou-se na propaganda eleitoral em estados estratégiocos e nesses ganhou.TRUMP continua FORTE e cheio de PODER.Os entraves q CR Democrata quiser fazer contra AMÈRICA serão punidos em próximas eleições onde a direçao do partido já não tem voz de comando.