Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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Opinião de Francisco Sarsfield Cabral

O Trump brasileiro

09 out, 2018 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


São mais as semelhanças do que as diferenças entre Trump e Bolsonaro. E a provável vitória deste último acrescentará mais um grande país à onda fascizante que percorre o mundo.

A provável vitória de Bolsonaro na segunda volta das eleições presidenciais no Brasil (28 deste mês) torna claras várias semelhanças com o percurso de Trump. De início, ambos foram considerados inelegíveis, de tal forma eram escandalosas e mesmo estapafúrdias as suas afirmações. Mas conquistaram o eleitorado, apostando no medo e no ódio aos adversários e às minorias.

Bolsonaro, como Trump, casou três vezes, mas também ele conseguiu o apoio de grande parte dos cristãos evangélicos – que não se impressionaram com o racismo do personagem, nem com o seu desprezo pelas mulheres ou com o seu apoio à tortura ou, até, ao assassinato de suspeitos e de inimigos políticos. O líder da poderosa IURD, Edir Macedo, disse publicamente que votaria em Bolsonaro. Trump continua igualmente a beneficiar de forte popularidade entre os evangélicos, apesar dos seus múltiplos casos de cariz sexual. E as campanhas eleitorais dos dois foram sobretudo realizadas através das redes sociais, não dispensando aí uma considerável dose de notícias falsas e insinuações maldosas.

Quanto às diferenças, ao contrário de Trump, que era um negociante do sector imobiliário, Bolsonaro foi um obscuro deputado federal desde 1991. Mas a grande diferença entre eles está em que o Brasil não é os Estados Unidos. Trump é mais perigoso porque o seu poder mundial é incomparável ao de qualquer presidente do Brasil. E a história política dos dois países – EUA e Brasil – é bem diferente. Os EUA são uma democracia liberal que não sofreu quebras desde a independência do país, em 1776. A esperança, hoje, é que a democracia americana consiga resistir a Trump, que não a aprecia. Pelo contrário, o Brasil viveu em ditadura civil (Getúlio Vargas, 1937-1945) e militar (1964-1985) e ainda outras suspensões da democracia ao longo do séc. XX.

Uma provável presidência de Bolsanaro será muito próxima de alguns meios militares, que à força do direito preferem o direito da força. E acrescentará mais um grande país à onda fascizante que percorre o mundo, atingindo mesmo Estados membros da Europa comunitária. É preocupante este ataque global ao humanismo ou, mesmo, à simples e elementar decência na vida política.

Comentários
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  • luterio
    12 out, 2018 lisboa 11:49
    Cenário incrível.Em democracia quem vota é o povo de acordo com os seus interesses e não de cartilhas ou interesses de outros.A suposta e imposta cultura ocidental está em contra ciclo com os interesses de povos que pensam e agem de forma diferente.A insegurança no Brasil é terrivel e a corrupção ,os dois juntos mudaram votos eleitores.Homicidios são 65 000 ou mais por ano ,mais que nos EUA ,quem quer viver neste pais com os mesmos atores??
  • Hernandez
    09 out, 2018 Villa Bajo 10:08
    "Onda faciszante que percorre o mundo..." Sim senhor, quem fala assim não é gago. Então e o oceano estalinista no qual se estão a afogar mais de cinco mil milhões de seres humanos?? O que é o Brasil hoje a não ser uma ditadura de esquerda? E a Venezuela? E Portugal? E a Catalunha é o quê? A Catalunha não está a ser consumida pela radiação de Chernobyl? O que os senhores independentistas querem é esconder o dinheiro deles e depois matarem à fome os plebeus. Como aconteceu no maravilhoso reinado do proletariado soviet.
  • Apocalipse
    09 out, 2018 Capitulo 13 09:35
    No teu país a esquerda esquartejou a família, impôs o aborto, deu direito de família a casais do mesmo sexo, quer impor a igualdade de género, fim de linha da destruição dos laços familiares, e dizes, num jornal católico, que os que defendem o contrario, são loucos, fascistas. Não leste que a besta, depois de muito debilitada, acabou por tomar conta do governo das nações?
  • Atento
    09 out, 2018 Leça da Palmeira, Matosinhos 08:56
    ... Xiquinho deixa-te baboseiras ... já andas no 'politicamente correcto' há tempo demais ...