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O Mundo em Três Dimensões - Birras - 28/09/2018
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Porque é que as crianças fazem birras?

28 set, 2018 • André Rodrigues e Paulo Teixeira (sonorização)


A explicação estará, muito provavelmente, no desenvolvimento incompleto do cérebro humano quando nascemos.

Neste episódio, decidimos partir em busca da ciência das birras, aquele tipo de comportamento que deixa qualquer pai ou mãe com os cabelos em pé. No caso do avô ou da avó, há sempre uma espécie de amnistia para os gritos e choros aparentemente sem motivo, para aquelas vezes em que se atiram para o chão aos berros na rua ou num corredor de supermercado. Às vezes, simplesmente porque sim.

Alguma vez parou para pensar porquê que isto acontece? A explicação estará, muito provavelmente, no desenvolvimento incompleto do cérebro humano quando nascemos. Que, tudo indica, é exatamente a mesma razão pela qual a adolescência é vulgarmente considerada a idade da parvoíce. E a infância é o primeiro teste da adolescência para os pais.

O neocórtex, que é a última região a desenvolver-se, corresponde a 76% do cérebro humano. Tem mais ou menos 20 mil milhões de neurónios que controlam a parte da reflexão, do planeamento, da imaginação, do pensamento analítico e da resolução de problemas e conflitos.

Por mais que nos custem aquelas cenas de teatro a que as nossas crianças, por vezes, nos sujeitam, a verdade é que elas não fazem todo aquele número de circo, simplesmente porque querem. A ciência lá encontra uma explicação para estes comportamentos indesejados.

Uma equipa de cientistas do departamento de psicologia da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, desenvolveu um estudo que sugere que o comportamento dos filhos piora 800% na presença da mãe. A degradação pode crescer para os 1600%, se a criança tiver menos de 10 anos.

Esta investigação acompanhou 500 famílias e verificou este quadro: 99,9% das crianças que brincavam tranquilamente quando estavam sozinhas, apresentavam 100% de hipóteses de chorar quando a mãe aparecia.

Um comportamento verificado até nas crianças com deficiência visual, uma vez que bastava ouvirem a voz da mãe para percecionarem a presença.

Então, e porquê? Bem, aí os cientistas não chegaram propriamente a uma conclusão. Mas asseguram aquilo que, qualquer um de nós consegue ver lá em casa, sem precisar de grandes especializações em psicologia infantil. As crianças menores de 10 anos são tendencialmente mais apegadas à mãe e, por isso mesmo, necessitam de mais atenção por parte delas.

E tudo isto é, apenas, natural. Só é necessário ter um pouco mais de paciência.

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