Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​Uma calúnia farisaica

09 ago, 2018 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Cristo aproximava-se dos “impuros”. Os fariseus de hoje, como os de ontem, não gostam dessa atitude.

Habitualmente não frequento as redes sociais, porque não as considero, em geral, fontes fidedignas de informação nem de opinião séria (até porque frequentemente ambas surgem a coberto do anonimato). Mão amiga fez-me chegar um texto notável do meu colega de redação Filipe d’Avillez, denunciando uma série de calúnias absurdas que correm nalgumas dessas redes, a propósito da recente elevação do P. José Tolentino de Mendonça a arcebispo, encarregado do arquivo do Vaticano.

O texto do Filipe, escrito em inglês, encontra-se em actualidadereligiosa.blogspot.com. Os boatos aparecem em blogues que detestam o Papa Francisco, a quem chamam ditador e chefe máximo da “anti-igreja católica”, criticando, por exemplo, a recente decisão papal de considerar inadmissível a pena de morte em qualquer circunstância.

Aí J. Tolentino de Mendonça é considerado favorável ao grupo LGBT e acusado de ser ele próprio homossexual, motivo pelo qual teria sido retirado da sua diocese de origem (Funchal), e outras atoardas desse tipo, que Filipe d’Avillez desmonta com rigor e desmente categoricamente.

O que incomoda esses católicos simpatizantes do falecido Monsenhor Lefebvre, que há vinte anos rompeu com a Igreja Católica por não aceitar o Concílio Vaticano II, é o acolhimento que o agora arcebispo D. José Tolentino dava e dá a todos. Na linha, aliás, do apelo do Papa Francisco para que a Igreja se preocupe com as periferias.

O Evangelho fala repetidamente de Alguém que comia com cobradores de impostos desonestos, não afastava prostitutas, procurava os mais marginalizados – suscitando o escândalo e a fúria dos fariseus, que recusavam contactos com “gente impura”. Chamava-se Jesus Cristo.

Comentários
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  • Carlos Oliveira
    09 ago, 2018 Évora 12:30
    É como muito bem diz. Seguir a Cristo é assimilar o Evangelho ao que se pensa e faz.
  • anónimo
    09 ago, 2018 Porto 09:41
    Como seria delicioso se tais factos fossem possíveis de ser confirmados mas à segunda cai quem quer, o Papa, induzido em erro naquele momento no Chile, de conjuntura manhosa, teve de se apressar a pedir desculpa, por ter sido crédulo, algo que muito dificilmente se vai repetir, é possível, tal como tudo é possível, mas muito muito difícil voltar a acontecer pelo que a caravana vai continuar a andar e a sacudir o pó ao sair de certos sítios.