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Perdão de Trump a Muhammad Ali? "Obrigado, mas não é preciso", diz advogado

08 jun, 2018


A lenda do pugilismo foi condenada a cinco anos de prisão em 1967 por se recusar a combater na Guerra do Vietname.

Muhammad Ali será sempre conhecido como uma das maiores lendas do pugilismo mundial. Mas ao longo da sua vida e até ao momento da sua morte, aos 74 anos, em 2016, o pugilista, nascido Cassius Marcellus Clay Jr., dedicou-se com igual empenho ao ativismo, uma espécie de segunda carreira que nasceu com a Guerra do Vietname.

Forte crítico dessa guerra, em 1967 Ali recusou alistar-se no Exército para ir lutar contra os vietnamitas. "Não posso fazer parte de nada que envolva abater asiáticos de pele escura que nunca me lincharam, nunca me roubaram a liberdade, nem a justiça nem a igualdade e que nunca assassinaram os meus líderes", diria anos mais tarde sobre a sua decisão, numa indireta às ações do seu país-natal.

Serviu a declaração de interesses para explicar porque é que disse 'não' ao alistamento obrigatório na Forças Armadas norte-americanas, mesmo sabendo que essa recusa acarretaria uma pena dura. Nesse ano, Muhammad Ali foi condenado a cinco anos de prisão e a pagar uma multa de 10 mil dólares.

Mais de meio século depois, Donald Trump informou esta sexta-feira os jornalistas de que está a ponderar "muito seriamente" conceder um indulto presidencial ao pugilista - isto apesar de, em 1971, o Supremo Tribunal dos EUA ter revertido a condenação a Ali.

"Estou a pensar [perdoar] alguém que todos vocês conhecem muito bem, um homem que passou por muito e que, na altura [da sua condenação] não era assim tão popular. Hoje é certamente muito popular."

O advogado da família de Ali não perdeu tempo a responder à sugestão de Trump, já depois de vários especialistas terem sublinhado que a reversão da sentença pelo Supremo torna "inútil" ou até mesmo "impossível" um perdão presidencial como o que o Presidente norte-americano está a ponderar.

"Agradecemos a intenção do Presidente Trump, mas um perdão é desnecessário", sublinhou Ron Tweel, o responsável pela gestão do espólio de Muhammad Ali que também representa a viúva do pugilista, Lonnie. "Em 1971 o Supremo Tribunal dos EUA reverteu a condenação a Muhammad Ali por unanimidade. [Por esse motivo] não há condenação a precisar de perdão."

Desde que tomou posse, Donald Trump já fez uso dos indultos presidenciais sete vezes, duas delas a pedido de celebridades.

Em maio, Sylvester Stallone pediu ao Presidente que perdoasse postumamente o pugilista Jack Johnson, que foi condenado sob as leis racistas da era de Jim Crow por namorar com uma mulher branca. Esta semana, Trump decidiu perdoar uma bisavó que estava há 22 anos a cumprir uma pena de prisão perpétua por ofensas não-violentas relacionadas com droga, com base num apelo da estrela de reality shows Kim Kardashian.

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