|
Casa Comum
Paulo Rangel e Francisco Assis debatem a política nacional e europeia. Quarta às 13h.
A+ / A-
Arquivo
Casa Comum - "Ensino é um amplificador das diferenças sociais"- 04/12/2019
Casa Comum - "Ensino é um amplificador das diferenças sociais"- 04/12/2019

Casa Comum

"Ensino está a amplificar as diferenças sociais"

04 dez, 2019 • José Pedro Frazão


Francisco Assis e Paulo Rangel alarmados com os resultados do relatório PISA sobre educação. O terramoto político em Malta e Greta Thunberg também foram temas em análise no "Casa Comum" desta semana.

A passagem por Portugal da jovem ativista ambiental Greta Thunberg, o relatório de PISA de educação e o terramoto político em Malta foram temas em destaque no Casa Comum desta semana, com Paulo Rangel e Francisco Assis.

Os alunos portugueses pioraram na leitura e nas Ciências e não evoluíram na Matemática, segundo os dados do PISA 2018 – o exame que avalia o conhecimento dos alunos de 15 anos nas áreas da Matemática, Ciências e leitura.

Paulo Rangel e Francisco Assis consideram os resultados do PISA preocupantes e alertam que a educação não está a funcionar como elevador social.

“Há aqui um aspeto muito preocupante. As desigualdades à partida não são parcialmente corrigidas ao nível do ensino secundário. Isso significa um grande falhanço na democratização da nossa sociedade, afirma o socialista Francisco Assis.

O social-democrata Paulo Rangel adverte que o “sistema de ensino, em vez de ser um elevador social, é um amplificador das diferenças sociais. Fazer de Portugal aquilo que efetivamente é: uma sociedade muito aristocrática”.

Para o eurodeputado, uma escola mais exigente “é a única que permite dar aos alunos com um pano de fundo de condição socioeconómica ou cultural mais baixa recuperarem esse atraso”.

“Se a escola for laxista - como agora quer este ministro Tiago Brandão Rodrigues -, que é passar toda a gente para ter boas estatísticas, nós vamos ter uma situação em que estamos a passar pessoas que não sabem e estamos a reproduzir as desigualdades sociais”, refere Paulo Rangel.

“Não vou atrás deste ‘gretismo militante’”

A passagem da ativista ambiental Greta Thunberg por Portugal, a caminha da cimeira climática de Madrid, foi outro dos temas em análise no “Casa Comum”.

Francisco Assis destaca o facto de a jovem sueca, de 16 anos, fazer um “certo apelo à ciência”, ao contrário de algumas “posições ecologistas anticientíficas”, que são “muito perigosas” e “apontam para uma regressão civilizacional”.

“Ao contrário, ela pede que ouçam os cientistas e depois atuem. Depois, evidentemente, há no discurso dela alguma ingenuidade e até excesso próprio da sua idade”, sublinha.

Paulo Rangel considera “extremamente positivo” o facto de Greta Thunberg ter conseguido mobilizar os jovens para as causas ambientais, apesar de discordar da forma.

“Agora, quando vem fazer aquelas caras de zangada e aquelas birras na televisão, as pessoas não têm a coragem de dizer: ‘menina tenha paciência, a sua luta é justíssima, tem razão em muita coisa, mas isto não é assim’. Nós estamos a destruir o futuro dos jovens? A generalidade dos jovens tem, hoje, perspetivas que as gerações anteriores não tiveram. Para ela poder fazer estes números - que são positivos - houve gerações e gerações de pessoas que trabalharam”, sustenta.

O social-democrata considera que é preciso bom senso na luta contra as alterações climáticas para não cairmos numa ditadura ambiental.

“Às vezes, há uma falta de bom senso. Aquela intervenção nas Nações Unidas em que os políticos quase que pedem desculpa... As coisas não são assim. Não vou atrás deste ‘gretismo militante’ que agora anda para aí. Isto levaria uma ditadura ambiental e nós ainda vivemos em democracias”, afirma Paulo Rangel.

“Ana Gomes chegou a ser ameaçada de morte”

Malta, pequeno país no meio do Mediterrâneo, está a ser assolado por um terramoto político, que já levou à demissão do primeiro-ministro, Joseph Muscat; do chefe de gabinete e de dois ministros, na sequência da investigação ao homicídio da jornalista Daphne Caruana Galizia.

Francisco Assis apela aos socialistas europeus que estejam na linha da frente da denúncia e acompanhamento deste caso e elogia Ana Gomes, que nunca se calou apesar das “muitas pressões”.

“Ela, felizmente, com a coragem que lhe é reconhecida, resistiu sempre a essas pressões e manteve a sua posição de uma grande dignidade. Resta agora a todos os dirigentes socialistas europeus agirem em consonância com essa mesma dignidade.”

Paulo Rangel acrescenta que Ana Gomes chegou a receber “ameaças de morte e intimidações pela circunstância de estar a chamar a atenção para isto desde o primeiro minuto”.

“Ela teve sempre um papel muito ligado ao escrutínio destas situações de Panama Papers, offshores, muito ligados a Malta, que tem um regime fiscal altamente controverso. Sem exagero, posso dizer que foi uma heroína. Estamos a falar de máfias perigosíssimas, que promoveram uma morte à bomba. Agora é muito fácil vir apoiar este movimento”, sublinha o comentador social-democrata.

Paulo Rangel apelida de “vergonha” e “lamentável” o comportamento dos socialistas europeus e portugueses no caso de Malta.

“Falam sempre da Hungria onde não se passa metade do que passou na Eslováquia, Malta ou Roménia com governos socialistas. Nunca se referiram a esses casos”, atira o eurodeputado.

Este conteúdo é feito no âmbito da parceria Renascença/Euranet Plus – Rede Europeia de Rádios. Veja todos os conteúdos Renascença/Euranet Plus

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.