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Euro 2020

Bruno Alves. "Podemos jogar com o que nos convém ou ter ambição. Portugal vai jogar para vencer"

23 jun, 2021 - 08:15 • Carlos Dias (entrevista) com Redação (texto)

O campeão de 2016 avisa que a seleção nacional não pode pensar em vencer o Euro 2020 quando ainda tem pela frente a difícil tarefa de passar a fase de grupos.

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Entrevista a Bruno Alves - 22/06/2021
Entrevista a Bruno Alves - 22/06/2021

Bruno Alves, campeão europeu em 2016 ao serviço de Portugal, acredita que a seleção nacional tem de jogar para vencer frente à França, sem esperar por uma conjuntura favorável de resultados nem pensar em qualquer objetivo para lá do imediato: passar a fase de grupos.

Caso vença ou empate diante da França, Portugal avançará para os oitavos de final do Euro 2020. Pode até perder por 2-0, desde que a Hungria não derrote a Alemanha. Contudo, em declarações à Renascença, Bruno Alves avisa que a equipa das quinas não pode estar a contar que os outros façam o seu trabalho para seguir em frente.

Jogo decisivo para Portugal. Com a experiência que tem e o conhecimento que tem da seleção, o que é que podemos esperar destes jogadores, depois daquilo que aconteceu de mau frente à Alemanha, agora perante a França?

São duas equipas fortes que vão querer competir. Eu creio que Portugal tem todos os argumentos [para vencer], toda a qualidade, toda a experiência, porque temos jogadores jovens, mas já muito rodados. Penso que vai ser, antes de mais, um grande jogo de futebol e espero que a seleção de Portugal vença.

Estes jogadores têm umas contas para ajustar com este Campeonato da Europa, depois do jogo com a Alemanha. Não só a qualificação em si. Acredita que estes jogadores podem querer mostrar que afinal estão aqui com muita qualidade e para fazer um bom Campeonato da Europa?

É um jogo diferente do da Alemanha. É um jogo muito mais decisivo, neste momento, para Portugal, que tem muito mais a responsabilidade de vencer ou [conseguir] um resultado que lhe permita passar esta fase. São duas equipas que vão entrar fortes e vai ser um jogo diferente do de 2016, e mesmo do que fizeram há pouco tempo [para a Liga das Nações]. Vai ser um jogo extremamente bom para Portugal, porque depois de uma derrota a vontade de entrar em campo e de vencer e demonstrar que realmente conseguem fazer muito melhor vai ser importante também.

Bruno Alves foi campeão europeu em 2016. Foto: Miguel A. Lopes/Lusa
Bruno Alves foi campeão europeu em 2016. Foto: Miguel A. Lopes/Lusa
Bruno Alves foi companheiro de vários jogadores que ainda estão na seleção. Foto: José Manuel Ribeiro/Reuters
Bruno Alves foi companheiro de vários jogadores que ainda estão na seleção. Foto: José Manuel Ribeiro/Reuters
Nélson Semedo foi um dos jogadores mais criticados após a derrota com a Alemanha. Foto: Hugo Dlegado/Lusa
Nélson Semedo foi um dos jogadores mais criticados após a derrota com a Alemanha. Foto: Hugo Dlegado/Lusa
Bruno Alves deixou o Parma e está sem clube. Foto: Jennifer Lorenzini/Action Images/Reuters
Bruno Alves deixou o Parma e está sem clube. Foto: Jennifer Lorenzini/Action Images/Reuters

Falou-se muito e criticou-se muito alguns jogadores depois do jogo com a Alemanha. Nélson Semedo, William Carvalho, Bernardo Silva, enfim, vários jogadores. O Fernando Santos também já admitiu algumas alterações, não por castigo, mas também por desgaste. É aceitável colocar a crítica em dois ou três jogadores depois daquela derrota com a Alemanha?

Antes de mais, gostaria de dizer que acredito em todos os jogadores da seleção portuguesa. Todos têm a capacidade de jogar bem e fazer Portugal vencer. Foi um dos segredos de 2016 que todos os jogadores que tiveram a oportunidade e jogar conseguiram manter o lugar e conseguiram jogar bem. Portugal, neste momento, também o pode fazer. Depois de dois jogos, é normal haver algumas mudanças, até para dar oportunidades e, a nível físico, também dar alguma frescura à seleção. O selecionador é que tem de entender o que tem de fazer para mudar ou não. Não podemos criticar a seleção antes, temos de ver o que vai acontecer e depois ver se ele fez certo. Se quiser mudar, vai fazer bem, mas se não quisesse mudar nenhum, a minha visão é que Portugal pode repetir a equipa e ganhar ou pode mudar e continuar a ganhar.

Portugal, ganhando ou empatando, fica logo apurado. Pelas contas que estão a ser feitas, até pode perder por dois golos se a Hungria não ganhar à Alemanha. Enfim, se as coisas não correrem bem, pode ainda garantir a qualificação. Em 2016, também entraram em campo, naquele jogo com a Hungria, com algumas contas para fazer, com aquele empate. Neste tipo de situação, os jogadores de seleção, e o Bruno conhece muitos deles e também já lá esteve, entram em campo a fazer estas contas?

Acho que não. Isso passa um pouco pela cabeça, mas a qualidade destes jogadores e a essência desta seleção é vencer. Eu entendo que existe uma preocupação porque é um jogo que pode ser uma eliminatória, mas eu mantenho a positividade, dizendo que Portugal vai jogar para vencer. Se não vencer, um empate pode dar-nos aquilo de que precisamos. Podemos jogar com aquilo que nos convém ou ter ambição e vencer o jogo. À partida, Portugal vai jogar para vencer o jogo.

Olhando para Portugal e para as outras seleções no Campeonato da Europa, podemos continuar a acreditar numa seleção que vai chegar longe?

Acredito que sim. Portugal tem uma seleção com qualidade, competente e com um selecionador experiente e competente. A seleção tem experiência, jogadores jovens com maturidade. Tem todos os argumentos. Eu acho que Portugal pode realmente vencer a competição, mas neste momento tem de ser realista, porque tem um jogo muito difícil para fazer e [tem de] pensar agora, neste momento, neste jogo. Não vamos pôr o objetivo para a frente quando temos aqui um objetivo muito importante para concretizar, que é já a vitória frente à França.

Portugal defronta a França às 20h00, na Aréna Puskás, em Budapeste, na Hungria. Jogo com relato, diretamente do estádio, na antena da Renascença e acompanhamento ao minuto em rr.sapo.pt.

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