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Fair-play

Guarda-redes socorreu adepto adversário e viu "o primeiro cartão branco" da carreira

09 jun, 2021 - 08:30 • Liliana Carona

Luís Rodrigues, guardião do AC Travanca, clube da I divisão da Associação de Futebol de Viseu, saiu repentinamente do campo para ir socorrer um adepto da equipa adversária. O gesto valeu-lhe um "cartão branco".

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“Luís, Luís, Luís!!!”, assim gritaram os adeptos do Travanca de Bodiosa, em Viseu, sabendo que o guarda-redes também é bombeiro.

Luís Rodrigues, 28 anos, não pensou duas vezes.

“Foi aos 87 minutos, os adeptos começaram a chamar por mim, nas imediações, porque sabiam que trabalho no pré-hospitalar e começaram aos gritos, e eu nem pensei, abandonei o jogo e dirige-me a eles, o árbitro parou o jogo e percebi que estava um senhor de 32 anos, que tinha feito uma convulsão com antecedentes de epilepsia, avaliei e expliquei o que teriam de fazer em caso de nova convulsão”, conta à Renascença.

Depois de terem ligado o 112 e de o homem já ter sido colocado em posição lateral de segurança pelo guarda-redes, o doente foi levado para o hospital e “encontra-se bem”, garante Luís.

Guarda-redes há sete anos, o jogador é também tripulante de ambulância de socorro, no posto de emergência médica da corporação dos Bombeiros Voluntários de Viseu, e está no segundo ano da licenciatura em enfermagem.

A tarde do dia 3 de junho em que assistiu um adepto da equipa, do Parada de Ester, de Castro Daire, nunca mais vai sair da sua memória.

Ao regressar ao campo do estádio do Travanca, Luís Rodrigues foi surpreendido. “Retomei o jogo e ainda pensei que me ia expulsar, mas o árbitro mostrou-me o cartão branco. É uma satisfação e uma novidade, nunca me tinha acontecido, nem tinha noção da dimensão que isto iria tomar”, garante, sublinhando que tem recebido mensagens dos quatro cantos do mundo.

“Uma coisa que eu não estava à espera, tenho recebido mensagens da Austrália, Brasil, Angola, a darem-me os parabéns pelo gesto. É bom perceber que o gesto chegou a vários sítios”, diz.

O fair-play de Luís Rodrigues, não fez com que ganhasse o jogo dentro de campo, mas fora das quatro linhas ele foi o vencedor.

“O jogo ainda continuou, era um jogo importante, porque ambas as equipas precisavam ganhar para se manter na corrida pela subida, mas acabámos por empatar, não ganhámos, mas o mais importante foi a vida humana e o que foi feito”, sorriu.

O cartão branco foi lançado, em 2015, pelo Instituto Português do Desporto e Juventude e visa enaltecer condutas eticamente corretas, praticadas por atletas, treinadores, dirigentes ou público.

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