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Dia Mundial dos Oceanos

Portugal esteve “adormecido” durante algum tempo para a economia azul, mas agora tem de “aproveitar”

08 jun, 2021 - 07:37 • Fábio Monteiro

PRR prevê verba de 252 milhões de euros para tornar a economia do mar “mais competitiva”. “Temos centros científicos e tecnológicos ao dispor avançadíssimos para criar inovação. Temos que agora que aproveitar”, diz Carla Domingues, gestora de projetos do Fórum Oceano – Associação da Economia do Mar, à Renascença. Tiago Duarte, da Associação Oceanos Sem Plásticos, diz que políticos “falam muito” do problema dos resíduos nos oceanos, mas não fazem nada para o resolver.

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Portugal é um país à beira-mar plantado, com “uma das melhores zonas económicas exclusivas europeias”, mas durante muito tempo esteve “adormecido” para o potencial que tinha mesmo à sua frente. Nos últimos anos, contudo, houve um acordar para a economia azul, tema que “tem estado bastante presente na agenda política”, diz Carla Domingues, gestora de projetos do Fórum Oceano – Associação da Economia do Mar, em declarações à Renascença.

“Se calhar desaproveitamos um bocadinho, durante algum tempo, essas oportunidades, mas acho que temos agora aqui oportunidade de recuperar. No caso das energias marítimas renováveis, na robótica oceânica, todas estas tecnologias transversais” que vão ajudar a conseguir alcançar as metas de descarbonização, explica.

Em Viana do Castelo, Portugal tem, por exemplo, o primeiro parque eólico flutuante da Europa continental. “E há outros projetos pioneiros da energia das ondas. Temos centros científicos e tecnológicos ao dispor avançadíssimos para criar inovação. Temos que agora que aproveitar”, lembra a responsável do Fórum Oceano.

O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) delineado pelo Governo de António Costa prevê uma verba de 252 milhões de euros para tornar a economia do mar “mais competitiva, empreendedora, coesa, inclusiva, digital e sustentável”.

“No PRR está prevista uma verba importante para investimentos na economia do mar, em projetos mobilizadores, portanto Portugal não pode deixar fugir a oportunidade de se tornar realmente um 'player' importante nesta matéria”, frisa Carla Domingues.

Até porque a pandemia, à semelhança de outros setores, fez mossa na economia azul. E o “impacto não foi igual em todos”.

“No turismo náutico, recreio, desporto, houve um impacto fortíssimo, houve uma quebra praticamente total da atividade”; o mesmo também sucedeu na aquacultura, no que toca ao “escoamento de bivalves, que nós produzimos em abundância”, conta Carla Domingues.

Caixas de “Planta”, cassetes VHS, televisores

Esta terça-feira, 8 de junho, comemora-se o Dia Mundial dos Oceanos. As Nações Unidas (ONU) escolheram o tema "O Oceano: Vida e Meios de Subsistência" para assinalar a data, com o objetivo de alertar para a necessidade de comportamentos sustentáveis.

Porém, um primeiro passo importante – talvez o mais básico de todos – deve ser o cuidado com os resíduos, de forma a que estes não vão parar aos oceanos ou qualquer afluente de água. Para assinalar a data, a Associação Oceanos Sem Plásticos, com sede em Torres Vedras, irá visitar três escolas. “De pequenino é que se ensina estas coisas”, diz o fundador da associação Tiago Duarte.

“Vamos mostrar objetos que temos retirado não só das praias, mas também dos rios e também das arribas, nós fazemos ações de limpeza nestes três ambientes. E aí tiramos coisas antigas, coisas dos anos 60, 70, coisas ligadas à agricultura. Temos também uma forte ação nas praias, onde encontramos coisas incríveis também com dezenas de anos. No outro dia, eu próprio encontrei uma embalagem de Planta de 1970”, conta.

Para Tiago, fala-se muito da limpeza das praias, mas nas arribas “não há muita atenção”, “inclusivamente das autoridades”. “Ainda no fim de semana passado, tiramos uma tonelada [de lixo]. Algum dele que está lá desde os anos 70, 80. Encontrámos televisões, encontrámos mobiliário, até cassetes dos 70, VHS, música. É algo que faziam antigamente e continuam a fazer. É uma batalha que temos para as arribas”, diz.

Os nossos políticos falam muito deste problema, mas na prática pouco fazem. Ou quase nada fazem”, atira ainda. O fundador da Associação Oceanos Sem Plásticos dá o exemplo da Ria Formosa, local que diz ser “reserva natural por decreto”, mas onde o Estado não verifica “se é preciso fazer uma ação de limpeza”. “Está tudo nos seus gabinetes”, refere.

Tiago lembra a visita da ativista ambiental Greta Thunberg a Portugal em 2019. "Quando recebemos a visita da Greta, todos os políticos foram lá cumprimenta-la de manhã e à tarde já estavam a pensar no novo aeroporto. Não é compatível. Assistimos a um discurso verde, amigo do planeta, porque fica bem, mas na prática não estamos a ver ações concretas de melhorar o que temos que melhorar. E se continuarmos neste ritmo, dentro de três ou quatro gerações, não sei que planeta é que vamos deixar."

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  • Ivo Pestana
    08 jun, 2021 Funchal 18:26
    Eu fui aluno de ciências e já na altura falávamos, que o ser humano tinha energia limpa disponível na natureza. Desde o sol, biomassa, ondas do mar, rios, barragens, vento e até fezes de animais. Isto não é de agora, mas Portugal anda a dormir sempre à espera de subsídios europeus e de investimento estrangeiro. Preferem estádios de futebol festas e turismo, fazer o quê?

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