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João Leão prevê futuro otimista, mas PSD desconfia do ritmo apontado

15 abr, 2021 - 18:03 • Vítor Mesquita

Joaquim Miranda Sarmento, presidente do Conselho Estratégico Nacional do PSD, considera que as previsões do Governo são demasiado otimistas para a imprevisibilidade da conjuntura económica.

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Os números revelam que o Governo encara o futuro com otimismo e prevê que a economia cresça 9% no conjunto deste ano e do próximo. O cenário foi apresentado pelo ministro das Finanças, João Leão, no Programa de Estabilidade e aprovado e enviado para o Parlamento.

A Renascença desafiou Joaquim Miranda Sarmento, presidente do Conselho Estratégico Nacional do PSD, para uma primeira leitura às ideias apresentadas pelo ministro das Finanças.

O economista entende que os dados adiantados pelo Governo ultrapassam todas as previsões conhecidas sobre a economia nacional.

"Esta previsão é uma redução da previsão de crescimentos do Orçamento do Estado (OE). Em outubro, o OE previa para este ano o crescimento de 5,4%. Obviamente que o agravar da situação pandémica leva a que o Governo reveja em baixa a sua previsão de crescimento para 4%. No entanto, esta previsão é mais otimista que a da maioria das entidades nacionais e estrangeiras", diz o social-democrata.

Ainda sem conhecimento detalhado dos números do programa de estabilidade, Joaquim Miranda Sarmento acrescenta que o cumprimento das metas só acontecerá num quadro de recuperação total da realidade pré-pandemia.

"Para de facto chegarmos ao 4% tem de começar tudo a correr bem do ponto de vista do combate à pandemia, é preciso não voltar atrás no desconfinamento, é preciso não haver mais atrasos na vacinação e, em cima disso, é preciso que as exportações recuperem rapidamente e que o turismo no verão retome também grande parte da sua capacidade, nomeadamente com turistas estrangeiros", prevê o economista.
Sobre a garantia de que não haverá austeridade ou aumento de impostos no curto prazo, Miranda Sarmento entende que está dependente do momento em que as regras orçamentais voltam a estar em vigor.

"A grande questão que se coloca neste momento é, ao nível do debate europeu, quando é que as regras orçamentais voltam a estar em vigor, se continuarão suspensas em 2022, e se haverá ou não alguma alteração nas regras orçamentais. Isso vai determinar o montante e a velocidade do ajustamento que as contas públicas terão que fazer", afirmou, acrescentando que a economia portuguesa está "muito condicionada pela parte sanitária, pela recuperação económica e pelo que vier a ser a decisão europeia sobre as regras orçamentais."

A força da pandemia no primeiro trimestre obrigou a uma revisão em baixa do PIB de 5,4% para os 4% este ano. O défice orçamental deverá situar-se no 4,5%. Quanto à taxa de desemprego, o ministro aponta para os 7,3%, com uma previsão de descida até 2025.
João Leão promete estabilidade fiscal para estes dois anos e refere ainda que as contas de 2019 e o alívio das regras europeias permitem a Portugal olhar para o futuro sem medidas restritivas.
A grande prioridade, diz o ministro, é a recuperação social e económica e não as regras orçamentais. João Leão recusa que seja necessário um orçamento retificativo para 2021.
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