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Islão

Marcelo envia "fraternas saudações" aos muçulmanos em Portugal no início do Ramadão

13 abr, 2021 - 16:58 • Lusa

A pandemia impõe limites às tradicionais refeições partilhadas ao pôr do sol, mas para compensar a comunidade muçulmana organiza a distribuição de alimentos aos mais carenciados.

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O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, saudou esta terça-feira os muçulmanos em Portugal por ocasião do início do Ramadão, enviando-lhes "as mais fraternas saudações, na partilha dos valores universais da tolerância e da paz".

"Ao iniciar-se a celebração do Ramadão, saúdo muito calorosamente as comunidades islâmicas radicadas em Portugal e todos os seus membros", escreveu o chefe de Estado, numa mensagem publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet.

Nesta nota, refere-se que "o Ramadão é o tempo essencial do calendário islâmico, um tempo de disciplina espiritual e de vivência da fé", e constitui "um momento privilegiado de reconciliação e de paz, de renovação da fé e de prática da caridade, da fraternidade e de valorização da família".

"Essa é a mensagem essencial inscrita no Corão e o ensinamento mais profundo que nos legou o profeta Maomé. É essa a mensagem que as comunidades islâmicas seguem e devem seguir em todo o mundo", lê-se no texto.

O Presidente da República termina esta mensagem declarando: "A todos os nossos irmãos muçulmanos envio as mais fraternas saudações, na partilha dos valores universais da tolerância e da paz e no respeito pela diversidade e pelos outros, a quem estamos unidos em comunhão de humanidade".

Há três anos, Marcelo Rebelo de Sousa juntou-se à comunidade islâmica na Mesquita Central de Lisboa para partilhar o "iftar", a quebra do jejum diário no mês do Ramadão, após o pôr-do-sol.

Enquanto partilhava tâmaras e água, descalço, na sala de orações da mesquita, em seu redor dezenas de muçulmanos registavam esse momento simbólico, de telemóveis na mão.

"Este é um momento de respeito, solidariedade, partilha, entendimento", disse, na altura, o chefe de Estado.

Covid impõe limites a refeições partilhadas

Durante o Ramadão, no qual cumprirão cerca de um mês de jejum durante o dia, os muçulmanos costumam reunir-se para quebrar o jejum ao por do sol mas, devido à pandemia de Covid-19, as mesquitas não vão servir jantares, distribuindo apenas refeições pelos mais carenciados à noite.

"Este mês nós estamos em jejum. Ao pôr do sol quebramos o jejum e a quebra do jejum, normalmente, costumava ser nas mesquitas e [...] havia mesquitas que serviam jantar – uma refeição – depois da oração do pôr do sol", disse à agência Lusa o imã da Mesquita Central de Lisboa, xeque David Munir. .

O líder religioso explicou que face às restrições impostas pela pandemia a Mesquita de Lisboa vai oferecer apenas uma ou duas tâmaras aos fiéis para quebrarem o jejum à noite, recordando que depois da oração não haverá refeição.

"Em nenhuma mesquita em Portugal este ano haverá refeições", disse David Munir, que adiantou que a comunidade islâmica irá "distribuir refeições nas zonas mais carenciadas", numa espécie de serviço "take-away".

De acordo com o xeque Munir, o jejum é quebrado com a ingestão de tâmaras ao pôr do sol, marcando o início do Iftar.

"Hoje o pôr do sol será aproximadamente às 20h15 ou 20h16, a essa hora quebramos o jejum. Nós começamos [hoje] o jejum às 05h30", disse.

Para David Munir, as celebrações do Ramadão este ano prometem ser melhores do que em 2020, porque as mesquitas vão poder estar abertas.

"Este ano está um pouco melhor que no ano passado, porque no ano passado as mesquitas e outros lugares de culto estiveram fechados. Este ano com uma pequena abertura, muita limitação, as pessoas frequentam as mesquitas por tempo muito limitado, portanto, é ligeiramente diferente para melhor", observou.

Demonstrando receio pela possível evolução da pandemia, David Munir alertou para a disciplina pessoal e para o cumprimento das normas e das orientações definidas pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

"As mesquitas estão abertas desde há duas semanas para cá, mas com muita limitação, com toda a segurança e esperemos que isto se mantenha assim pelo menos até acabar o Ramadão e para além. Também depende de cada um de nós", ressalvou.

Segundo o líder religioso, a Mesquita Central de Lisboa está com a capacidade limitada a cerca de 500 a 600 pessoas, metade da lotação normal pré-pandemia, mas não tem conseguido ultrapassar as 200 durante as orações. .

"Há orações em que vêm 15 pessoas, 20 pessoas e há orações em ultrapassa as 100/150", indicou.

As celebrações do Ramadão em Portugal deverão durar até ao dia 12 de maio, altura em que se inicia um novo mês lunar islâmico.

Portugal conta atualmente cerca de 50.000 muçulmanos.

Em jeito de mensagem de esperança para o período do Ramadão, David Munir pediu mais humildade e que os muçulmanos reforcem as suas preces e criem "uma aproximação mais profunda com o Criador [Alá]", para que a "pandemia termine o mais depressa possível".

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