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De regresso ao Luxemburgo. Profissionais de saúde levam “gentileza, acolhimento e ambiente familiar”

03 mar, 2021 - 12:32 • Rosário Silva

Desde o início da pandemia, o Hospital do Espírito Santo de Évora já recebeu, em internamento, cerca de 700 doentes com Covid-19. No pico da doença, o estabelecimento hospitalar chegou a ter 120 doentes internados em simultâneo.

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Por esta altura, a enfermeira lusodescendente Filomena Silva Costa já abraçou o filho de 13 anos e a médica alemã Modesta Dargeviciute regressou ao trabalho no maior hospital de Trier e na Luxembourg Air Rescue (salvamento aéreo).

Durante duas semanas, ambas, integraram a primeira equipa internacional proveniente do Luxemburgo, que chegou a Portugal para apoiar os profissionais de saúde do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE).

“A nível da integração na equipa, tudo correu muito bem”, referiu à Renascença, horas antes de regressar ao Luxemburgo, Filomena Silva Costa, cujo trabalho se centrou mais ao nível da organização das equipas e da medicação.

Já a médica anestesista e especialista em reanimação, que não fala português, desenvolveu um trabalho “ao nível da terapia, de parâmetros e de ventilação”.

Desta missão, destacam a “experiência que ganhámos”, mas sobretudo a “gentileza” e o acolhimento. “Não estávamos minimamente à espera de ser acolhidas assim”, admite a enfermeira, realçando, ainda, a vertente solidária dos colegas portugueses, “o seu profissionalismo” e “o ambiente familiar que nós, lá, no Luxemburgo, não temos tanto”.

Filomena e Modesta chegaram ao hospital eborense quando já tinha passado o período de maior pressão, por isso foi mais fácil estreitar laços e perceber algumas diferenças, quer em termos de instalações, quer na própria prática clínica.

Uma diversidade que enriqueceu a experiência destas profissionais, uma vez que, destacaram, “os princípios de funcionamento e de aplicação são os mesmos" em qualquer parte do mundo.

“Chegámos cá na primavera, mas isto foi também uma primavera, assim, ao nível de sentimentos e de valores humanos”, resume Filomena Silva Costa.

“Reconhecimento e gratidão”

Para a presidente do concelho de administração do HESE, esta ajuda internacional traduz-se numa “questão simbólica de solidariedade”.

Maria Filomena Mendes assegura que, “em idênticas circunstâncias”, os profissionais do hospital alentejano também “estarão disponíveis para se deslocarem ao Luxemburgo e ajudar no que for necessário”.

A responsável lembra que “não existem fronteiras”, quando o que está em causa “é a saúde, uma questão global que toca a todos”.

Depois de Filomena Silva Costa e Modesta Dargeviciute, o HESE acolhe até ao próximo domingo, uma segunda equipa, proveniente igualmente do Luxemburgo, constituída por um médico belga e uma outra enfermeira, também ela lusodescendente.

“Esta disponibilidade e generosidade merecem todo o nosso reconhecimento e gratidão”, enfatiza Maria Filomena Mendes.

Desde o início da pandemia, o HESE já recebeu, em internamento, cerca de 700 doentes com covid-19. No pico da doença, o estabelecimento hospitalar chegou a ter 120 doentes internados em simultâneo.

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