Cansados depois de um voo de nove horas e meia, à chegada a Lisboa onde aterraram às 8h12 da manhã deste domingo, os cerca de 300 passageiros do voo TAP 3108 estavam satisfeitos por regressarem, mas nem todos pagaram o mesmo por este regresso

No exterior do aeroporto, cujos corredores estão quase vazios, estavam muitos familiares que aguardavam estes passageiros, muitos deles de origem brasileira, outros de nacionalidade portuguesa.

De malas na mão, máscara preta no rosto cansado, o português Pedro Moreira explicava à Renascença que tinha ido de férias ao Brasil e que, depois da suspensão das ligações aéreas, ficou retido. Teve de aguardar mais de um mês para voltar a casa.

Pedro fala em “transtorno pessoal e profissional” com esta situação e mostra-se desagradado com o que pagou. Fala mesmo num “exagero” porque esta passagem lhe custou “quase 850 euros”.

Houve também quem não tenha pago, tendo apenas que remarcar o voo de regresso, mas nem todos os casos foram assim. Neste voo de São Paulo para Lisboa, não há quase dois casos iguais. Danilo Silva, cidadão de origem brasileira que foi ao Brasil para tratar da situação de saúde de um familiar, teve de pagar do seu bolso os voos internos para chegar a São Paulo. Ao microfone da Renascença conta que pagou quase dois mil euros.

Outra das questões levantadas pelos passageiros do TP 3108 eram os testes que tiveram de fazer. O português António Martins conta que teve de procurar um laboratório que emitisse um “documento para a aviação” com o resultado. Era obrigatório ter um teste negativo a apresentar na hora do embarque e na chegada a Lisboa.

O teste tinha que ter feito 72 horas antes, e houve quem tenha feito mais do que um. Debora Almeida, que reside há 20 anos em Portugal, mas que nasceu no Brasil explica que esse processo “foi muito caro”.

“Para dar o tempo exato das 72 horas foi preciso de calcular muito bem e acabei por fazer duas vezes o teste”, conta esta viajante com sotaque brasileiro.

Passageiros como Valber Ferreira confirmam que estiveram sempre em contato com a diplomacia portuguesa. “Havia mandado um e-mail para o consulado”, conta este cidadão de origem brasileira a trabalhar em Portugal que optou por pagar este regresso para poder voltar à atividade.

Agora em Portugal, todos os cerca de 300 passageiros vão ter de cumprir 14 dias de quarentena. Isso mesmo foi-lhes exigido que assinassem num documento à chegada a Portugal. São histórias de quem deixou para trás o Brasil, o país onde há já mais de 6 milhões de vacinados.