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Correntes d’Escritas 2021

Maria Teresa Horta vence Prémio Casino da Póvoa

26 fev, 2021 - 11:13 • Maria João Costa

A escritora e poeta venceu, por maioria, esta distinção com o livro “Estranhezas”.

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A escritora e poeta Maria Teresa Horta é a vencedora do Prémio Casino da Póvoa - Correntes d'Escritas 2021. O livro de poemas "Estranhezas" (editado pela Dom Quixote em 2018) foi escolhido, por maioria, entre 70 candidatos.

Nas palavras do júri presidido pela escritora Inês Pedrosa, esta obra "estabelece um diálogo transgressor com a tradição lírica medieval e renascentistas". "É uma exaltação da paixão, da beleza, do real concreto e efémero eternizado pela deslocação da esfera do tempo para o espaço da escrita."

Composto por sete partes, o livro "revisita os temas centrais" da obra de Maria Teresa Horta.

Numa nota pessoal, Inês Pedrosa refere que a obra poética desta escritora tem sido pouco reconhecida e estudada pela academia portuguesa.

Numa sessão digital partilhada pela autarquia da Póvoa de Varzim, Maria Teresa Horta surgiu a dizer que sempre pensou que "um prémio de poesia não se agradece, recebe-se em silêncio, embora quem sabe, se em tumulto".

Ainda assim, a autora de "Estranhezas" fez questão de dizer, "com alegria" como referiu, que sente que tem de dizer "obrigada Correntes d'Escritas pelo Prémio".

A poeta que terminou a sua intervenção lendo um dos poemas do livro sublinhou que esta obra editada em 2018 foi escrita com muito "prazer intenso e júbilo".

Maria Teresa Horta sucede ao escritor angolano Pepetela que no ano passado venceu o prémio com o romance “Sua Excelência, de Corpo Presente”, também publicado pela Dom Quixote.

Nascida em Lisboa, onde frequentou a Faculdade de Letras, Maria Teresa Horta, escritora e jornalista, estreou-se na poesia em 1960, com Espelho Inicial; no ano seguinte participou com Tatuagem em Poesia 61. Tem a sua obra poética editada (17 títulos, entre os quais o inovador “Minha Senhora de Mim”, recentemente reeditado) e coligida em Poesia Reunida (2009). Posteriormente, trouxe a público “Poemas para Leonor” (2012), “A Dama e o Unicórnio” (2013), “Anunciações” (2016) - Prémio Autores SPA / Melhor Livro de Poesia 2017 -, “Poesis” (2017) e, para além de “Estranhezas”, a antologia pessoal “Eu Sou a Minha Poesia” (2019).

Na ficção, é autora de “Ambas as Mãos sobre o Corpo” (1970), “Ana” (1974), “Ema” (1984), “Cristina” (1985) e “A Paixão segundo Constança H.” (1994) e co-autora, com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, das internacionalmente reconhecidas “Novas Cartas Portuguesas” (1972).

Em 2011, publicou “As Luzes de Leonor”, romance sobre a Marquesa de Alorna distinguido com o Prémio D. Diniz, da Fundação da Casa de Mateus. Em 2014, ano em que lhe foi atribuído o Prémio Consagração de Carreira pela Sociedade Portuguesa de Autores, editou o volume de contos “Meninas”.

Com livros editados no Brasil, em França e Itália, Maria Teresa Horta foi a primeira mulher a exercer funções dirigentes no cineclubismo em Portugal e é considerada uma das mais destacadas feministas da lusofonia.

Este ano não precisa de se deslocar à Póvoa de Varzim para ouvir os escritores que participam na 22.ª edição do Festival Literário Correntes d’Escritas. Ao longo de dois dias, vai poder ver e ouvir através da internet quatro mesas de conversa com autores como a brasileira Fernanda Torres, a Prémio Camões Hélia Correia, Afonso Cruz ou a poeta Ana Luisa Amaral.

Pela primeira vez, sem salas cheias, o encontro, que reúne anualmente escritores de expressão ibérica conta com a participação de 154 convidados, uma centena dos quais autores.

Entre as várias iniciativas programadas, o destaque vai para a homenagem a Luís Sepúlveda, o escritor chileno que morreu em abril do ano passado, vítima de covid-19, poucos meses depois de ter participado no Correntes d'Escritas.

Todas as sessões poderão ser acompanhadas através das páginas de Facebook da Câmara da Póvoa de Varzim e das Correntes d’Escritas.

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