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Presidente do Paços de Ferreira

"Centralização dos direitos televisivos vai mudar paradigma do futebol português"

26 fev, 2021 - 09:30 • Eduardo Soares da Silva

"Vai permitir diminuir distâncias entre clubes, que vão mostrar mais o seu modelo de gestão sem a diferença de 15 vezes a receita entre o Paços e um grande. Vai reduzir as distâncias", diz Paulo Meneses.

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"Vai mudar o paradigma do futebol em Portugal". Paulo Meneses, presidente do Paços de Ferreira, saúda o decreto-lei aprovado pelo Governo na quinta-feira à noite que determina a centralização dos direitos televisivos relativos às I e II Ligas de futebol, processo que deverá ser finalizado até à temporada 2028/29.

Em declarações a Bola Branca, o dirigente do clube pacense, atual quinto classificado da I Liga, acredita que a decisão vai mudar o futebol português. Ainda assim, Paulo Meneses ressalva que será preciso existir um acordo dos termos entre os clubes.

"Não sei se é um dia histórico, porque depende da exequibilidade e da regulamentação. O decreto-lei não deixa de ter uma obrigação imperativa dos agentes desportivos apresentarem propostas. Mas vai mudar o paradigma do futebol em Portugal, vai permitir diminuir distâncias entre clubes, que vão mostrar mais o seu modelo de gestão sem a diferença de 15 vezes a receita entre o Paços e um grande. Vai reduzir as distâncias. Não sei se é um dia histórico, mas é fundamental para a nossa subsistência", diz.

O dirigente acredita que as negociações podem "complicar" na discussão dos termos para a distribuição das receitas e teme que a solução possa tornar-se num problema na sua regulamentação.

"Há uma margem de critérios de distribuição e aí a coisa vai complicar um pouco mais, temos de ter a capacidade de sermos solidários para que a margem de distribuição não seja um problema. Podemos ter encontrado a solução, mas a regulamentação pode ser um problema. Mas essa decisão sendo tomada em sede própria, está condenado o peso dos que poderiam boicotar uma solução equitativa. Quem tiver a capacidade de se aguentar até 2028, terá uma viabilidade muito maior do que tem hoje", explica.

Paulo Meneses não esconde, por isso, que a decisão "é um passo incrível para o futuro", mas sublinha a sua curiosidade para perceber como vão decorrer as negociações: "É algo que terá de ser apresentado ao Governo para ser concretizado e é nessa margem que temos uma palavra a dizer. Não estou cético, apenas com curiosidade para perceber de que forma vamos chegar lá".

Falta de vontade impediu decisão anterior

Paulo Meneses não esconde que foi a "falta de vontade" que impediu que esta decisão tenha sido tomada anteriormente. O dirigente espera que os clubes sejam solidários, até porque os mais pequenos têm nas receitas televisivas a sua principal fonte de rendimento.

"Falta de vontade. Todos dizem nas conversas de bastidores e até 'em on' que ninguém é contra a centralização, mas não sei se é assim tão verdade a predisposição para negociar. Vamos ter dificuldades em perceber a forma de distribuição perante a contribuição de cada um. É preciso dar uma lição de solidariedade que não temos dado, porque as receitas televisivas são 80% da sobrevivência do Paços, mas para outros representam 10% ou 20%", diz.


Sem entrar em valores e sem saber exatamente os números dos outros contratos, Paulo Meneses acredita que os contratos dos grandes podem ser "15 vezes superiores ao do Paços de Ferreira". Os grandes podem sair prejudicados desta decisão, mas o dirigente não espera reações negativas.

"Não creio que possam ter reação que não seja aplaudir. Segundo sei, dos contactos que vamos mantendo, ninguém se mostrou indisponível para esta solução", afirma.

Desempenho europeu não sairá prejudicado

Os clubes grandes, que representam anualmente o país nas competições europeias, vão receber menos receita dos direitos televisivos, mas Paulo Meneses acredita que isso não afetará o seu desempenho na Liga dos Campeões e na Liga Europa.

"Os clubes pequenos têm de ser sustentáveis e é por aí que temos de ver as coisas. No que diz respeito aos grandes, vão ser sempre grandes e cada vez maiores se perceberem que essa fonte de receita não é a que os faz sobreviver, é só mais uma. São coisas diferentes. Não podemos fazer uma relação direta entre a sustentabilidade desses clubes e o crescimento dos demais. Vai depender da gestão interna de cada clube", termina.

O diploma publicado pelo Governo determina a impossibilidade qualquer clube ou SAD comercializarem individualmente os direitos desportivos dos respetivos jogos relativos às épocas 2028/29 e seguintes.

A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Liga Portugal (LPFP) terão de apresentar uma proposta de modelo centralizado de comercialização até ao final da época 2025/26. A Autoridade da Concorrência terá de aprovar o referido modelo.

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  • Maria
    26 fev, 2021 Palmela 11:48
    A primeira coisa a fazer e acabar com os comentadores" dizem coisas que nao entra na cabeca de ninguem a nao ser na deles ! Os comentarios sao pra se fazer fora da televisao !

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