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Taça de Portugal

​Estoril Praia sonha com uma final da Taça 77 anos depois

11 fev, 2021 - 12:15 • Pedro Castro Alves

Os canarinhos tentam repetir feito de 1944. Esta quinta-feira entram em campo para lutar por uma segunda presença na final da Taça de Portugal. Presidente e antigo capitão recordam passado, com vista ao jogo com o Benfica.

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Pela segunda vez em quatro anos o Estoril está nas meias-finais da Taça de Portugal. O adversário é o mesmo que, no passado, se opôs à glória canarinha: o Benfica.

Há 77 anos, em 1944, numa presença inédita no Jamor, o Estoril foi derrotado por uns expressivos 8-0 pelos encarnados, que conquistaram o título. Mais recentemente, em 2017, o embate, para as meias-finais, foi equilibrado: derrota tangencial por 2-1, em casa, e empate 3-3 no Estádio da Luz.

Diogo Amado, titular e capitão em ambos jogos das duas mãos em 2017, lembra que a equipa sentia que “era possível fazer história pelo clube”, embora soubessem “do poder da equipa adversária”.

O médio, atualmente no Emiratos Árabes Unidos, enaltece que este tipo de jogos "podem ser decisivos para a história das nossas carreiras e do clube”. Recorda o “sabor amargo” do resultado de então, mas diz que a forma como a equipa jogou pode “servir de exemplo”.

Já Alexandre Faria, presidente do Estoril, explica que “a história não se repete”, mas está convencido que “a crença e a atitude” desses dois jogos será a mesma agora.

“Vamos acreditar até ao fim que é possível chegar mais longe e atingir o Jamor”, diz em entrevista à Renascença.

Atualmente no segundo lugar da II Liga, o Estoril tem como objetivo regressar ao principal escalão do futebol português. Estar a disputar as meias-finais da Taça de Portugal é, para Alexandre Faria, “muito importante para a consolidação do grupo de trabalho” e traz confiança para os jogadores.

“É uma possibilidade de contacto com a realidade onde queremos estar, que é junto das equipas da Primeira Liga”, explica.

Para o presidente, alcançar uma final nos dias de hoje “seria o culminar da contribuição do Estoril Praia para a história do desporto português”, não apenas a nível de “méritos desportivos”, mas também do “respeito pelos valores do 'fair-play', de solidariedade social e de verdadeiros embaixadores da região”.

Já para Diogo Amado uma final “é possível, mas extremamente difícil”. Ainda assim, conta ver o “futebol bonito” ao qual os adeptos estão habituados e diz que nunca esquece o “clube do coração”, pelo qual tem “um carinho enorme”.

Paralelismo com o passado

Neta edição da Taça de Portugal, o Estoril deixou pelo caminho três equipas da Primeira Liga - Boavista, Rio Ave e Marítimo -, além do Sertanense do Campeonato de Portugal.

Alexandre Faria avalia o percurso desta época e identifica “pontos em comum” com aquele realizado na época 1943/44, em que a equipa da Amoreira chegou à final.

“Pelo caminho também foram eliminando equipas bastante fortes. (…) O Estoril eliminou o FC Porto nos quartos de final e o Vitória de Guimarães nas meias-finais, curiosamente em jogos a duas mãos”, lembra.

Apesar de ter afastado apenas três adversários para estar no Jamor, a equipa realizou, na altura, seis jogos. Os outros dois foi na primeira eliminatória frente ao Unidos de Lisboa, clube que militava no segundo escalão.

Procura de identidade

A cumprir a terceira época consecutiva na II Liga, depois da descida em 2018, o Estoril Praia procura recuperar um identidade que Alexandre Faria sentiu ter-se perdido na altura da despromoção.

Na reta final dessa época, o dirigente confessa que nas equipas rivais se notava “uma ambição e um sentimento maior dos jogadores em relação ao clube que representavam”.

“Não existia a identidade que tem vindo a ser trabalhada”, explica.

Desde então, o clube tem vindo a procurar um grupo que contenha “atletas ambiciosos, mas que tenham a noção da responsabilidade da história e do legado do Estoril”, algo que o presidente considera estar a dar frutos, acrescentando que “neste grupo há uma ligação muito forte ao clube e à história".

Representante da segunda Liga

Desde os quartos de final que o Estoril é a única equipa em prova na Taça de Portugal que não compete na I Liga.

O presidente do clube diz querer mostrar que “existem equipas na segunda liga com um grau de competitividade e uma capacidade técnica e tática capaz de chegar aos patamares mais elevados”, afirmando mesmo que “outras equipas poderiam estar no nosso lugar”.

O Estoril está na segunda posição da II Liga, depois de ter liderado o campeonato praticamente durante toda a primeira volta. Nas últimas jornadas, quatro sem vencer, a equipa perdeu algum fôlego e a derrota com a Académica na última ronda determinou a queda para a vice-liderança, ainda em posto de promoção automática.

A Académica lidera, com um ponto de vantagem sobre o Estoril e dois sobre o Feirense, terceiro classificado, em posição de "play-off" de promoção.

O momento, no entanto, é de pensar na possibilidade de estar na final da Taça de Portugal e para isso a equipa comandada por Bruno Pinheiro tem de dar dois passos frente ao Benfica. O jogo da 1.ª mão das meias-finais é esta quinta-feira, às 20h15, na Amoreira. Partida com relato na Renascença e acompanhamento ao minuto em rr.sapo.pt.

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