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Myanmar. Polícia tenta travar protestos com balas de borracha e gás lacrimogéneo

09 fev, 2021 - 12:33 • Lusa

É o quarto dia consecutivo de grandes manifestações em todo o país contra o golpe de estado de 1 de fevereiro. A junta militar impôs a lei marcial em várias cidades e distritos de Rangum, proibiu ajuntamentos de mais de cinco pessoas e decretou um recolher obrigatório noturno.

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Canhões de água, balas de borracha e gás lacrimogéneo. A tensão continua a aumentar em Myanmar, esta terça-feira, no quarto dia de grandes manifestações em todo o país contra o golpe de Estado de 1 de fevereiro.

Em Naypyidaw, a capital, a polícia disparou balas de borracha contra manifestantes, de acordo com testemunhas.

Antes, a polícia tinha recorrido a canhões de água contra um pequeno grupo que se recusava a dispersar junto a um bloqueio de estrada das forças de segurança.

Em Mandalay, a polícia utilizou gás lacrimogéneo "contra manifestantes que agitavam bandeiras da Liga Nacional para a Democracia [LND]", partido de Aung San Suu Kyi, disse uma residente à agência de notícias France-Presse (AFP).

O movimento de desobediência civil em Myanmar contra a junta militar que tomou o poder prosseguiu em todo o país, esta terça-feira, apesar da lei marcial decretada na véspera na tentativa dos militares evitarem protestos.

Milhares de pessoas conseguiram contornar os dispositivos e estão concentradas em zonas fortemente protegidas pela polícia.

Na segunda-feira, a junta militar impôs a lei marcial em várias cidades e distritos de Rangum, em resposta às manifestações, e proibiu ajuntamentos de mais de cinco pessoas, decretando ainda um recolher obrigatório noturno, entre outras medidas.

O anúncio veio depois de os militares, através do canal de televisão estatal MRTV, terem ameaçado tomar medidas contra os manifestantes, que acusaram de prejudicarem a estabilidade, segurança e o Estado de Direito do país.

No primeiro discurso à nação, na segunda-feira, Min Aung Hlaing apelou aos birmaneses para se manterem "unidos como um país" e para olharem "para os factos e não para as emoções", ao mesmo tempo que justificou o golpe militar com uma alegada fraude eleitoral nas eleições de novembro.

Dezenas de milhares de pessoas ocuparam as ruas do país desde sábado para protestar contra a tomada do poder pelo Exército - que já governou Myanmar com mão de ferro entre 1962 e 2011 -, e exigir a libertação dos líderes democráticos detidos, incluindo a Prémio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi.

Pelo menos 170 pessoas foram detidas, a grande maioria políticos e membros da LND, partido governante e de Suu Kyi, incluindo 18 que já foram libertados.

No Governo desde 2016, a LND venceu claramente as eleições gerais de novembro, mas os militares afirmaram que esses resultados foram manipulados.

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