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Vestígios islâmicos na Sé de Lisboa não são da antiga mesquita

14 jan, 2021 - 11:53 • Maria João Costa

Peritos da Secção do Património Arquitetónico e Arqueológico do Conselho Nacional de Cultura recomendam salvaguarda dos vestígios islâmicos na Sé de Lisboa. LNEC diz que a Sé está em “risco” sísmico.

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Em outubro, antes ainda da conclusão dos peritos já a ministra da Cultura tinha determinado a conservação, musealização e integração dos achados arqueológicos no projeto de recuperação da Sé de Lisboa. Agora, surge o veredito técnico. A Secção do Património Arquitetónico e Arqueológico (SPAA) do Conselho Nacional de Cultura (CNC) confirma, de forma unânime, que “não existe evidência de que tais vestígios correspondam à mesquita aljama de Lisboa”.

Em comunicado divulgado esta quinta-feira pela Direcção-Geral do Património Cultural, os peritos indicam, no entanto, que “os pareceres técnicos de arqueologia coincidem no reconhecimento da relevância dos vestígios arqueológicos”. Face à importância patrimonial dos achados, “todos os peritos recomendam a respetiva salvaguarda”.

No mesmo comunicado é também conhecida a posição dos técnicos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) que fizeram a avaliação da segurança estrutural ao edifício da Sé patriarcal. “Concluiu o LNEC que se impõe a finalização urgente da estrutura projetada, de forma a garantir a necessária estabilidade e integridade da Sé de Lisboa e das ruínas”.

No entender dos técnicos do LNEC, a situação atual revela riscos, “apresentando uma vulnerabilidade sísmica excessiva”. Depois deste parecer, a SPAA solicitou já “à equipa projetista a alteração do projeto com vista à integração das estruturas arqueológicas em causa, apontando para a o efeito linhas orientadoras que promovam a respetiva valorização e salvaguarda”, pode ler-se no comunicado.

Esse projeto de recuperação e valorização do edifício da Sé de Lisboa será alvo de uma nova análise, numa terceira reunião a agendar futuramente. Nesta que decorreu esta quarta-feira estiveram presentes Félix Arnold, do Instituto Arqueológico Alemão (delegação de Madrid); Rosa Varela Gomes e Mário Varela Gomes da Nova FCSH; Santiago Macias também da Nova FCSH, técnicos do LNEC e representantes do ICOMOS.

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