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Coronavírus

Testagem nas escolas. “Não basta testar uma vez”, diz epidemiologista

14 jan, 2021 - 13:17 • Liliana Monteiro

O Governo decretou que as escolas devem manter-se abertas durante o novo confinamento que começa às 00h00 de sexta-feira e que serão feitos testes aos alunos, professores e funcionarios.

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O epidemiologista Manuel Carmo Gomes afirma que há exceções a mais nas novas medidas do executivo para o confinamento anunciado. “Nos próximos 15 dias vamos apenas desacelerar a pandemia”, diz o médico, acrescentando que “devemos usar todas as armas para controlar a epidemia o mais depressa possível”.

A testagem em massa nas escolas, através de testes rápidos, é uma medida importante e que poderá ser útil apenas e se for bem aplicada. Manuel Carmo Gomes epidemiologista e professor da Faculdade de Medicina de Lisboa, é claro na avaliação que faz do anúncio do executivo, “estamos a falar de dezenas de milhares de jovens e crianças e outros mais crescidos a quem se vai aplicar o procedimento. Não posso estar mais de acordo, mas não basta testar uma vez. Uma pessoa é testada no início da semana e depois no final da semana já pode estar infetada. Se for aplicada em massa e for aplicada duas vezes por semana isso diminui o risco, embora este não seja zero”.

Manuel Carmo Gomes sublinha mais uma vez que o caminho da luta contra a Covid-19, e os números alarmantes da Pandemia, passa por confinar os jovens a partir dos 12 anos. “Nunca advoguei fecho de escolas abaixo dos 12 anos. Não existe evidência que seja foco de infeção para fora, mas há razões de natureza biológica, estas crianças respondem melhor ao vírus. Mas a partir dos 12 anos a reação é igual a dos adultos, ainda para mais são grupos que se movem e socializam muito”.

Este médico, que marca presença assídua nas conhecidas reuniões do Infarmed, mostra-se preocupado com as medidas conhecidas. “Eu vejo esta situação das escolas, e outras exceções, com bastante preocupação. Na primeira vaga demoramos 7 semanas para passar de 400 casos para 300. A16 de março de 2020 quando fecharam as escolas, estávamos a subir e estava tudo fechado com poucas exceções e agora estamos com nível de incidência muito mais elevado e há muito mais exceções”.

Este especialista considera que a situação é grave e nada tem a ver com os números do primeiro confinamento e sublinha que não é hora de debates, mas de ação. “Acho que devemos usar todas as armas para controlar a epidemia o mais depressa possível. Se se entra na discussão se a transmissão acontece nas escolas, transportes públicos ou restaurante, confesso que é uma discussão interessante, mas no estado em que estamos tem características académicas. Quando estamos numa situação destas deve imperar o princípio da precaução. Se a situação é tão grave, devíamos chegar a um nível de confinamento muito próximo do que tivemos em março.”

E como serão os próximos 15 dias com estas medidas? “Nos próximos 15 dias vamos desacelerar a pandemia, as medidas vão ter algum impacto, mas duvido muito que a epidemia pare de crescer. Estaremos a desacelerar a subida, será apenas mais lenta”, constata este epidemiologista que muito tem estudado esta pandemia e lançado previsões sobre a evolução doa Covid-19 em Portugal.

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