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Presidente do COP entende que novas restrições “salvaguardaram alguma atividade desportiva”

14 jan, 2021 - 19:31 • Lusa

José Manuel Constantino diz que os impactos de dois confinamentos e várias restrições entre esses dois momentos mais duros, nos escalões de formação dos vários desportos, só serão notados "a médio e longo prazo".

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O presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP) disse à Lusa, esta quinta-feira, que as restrições impostas pelo novo confinamento, devido à pandemia de Covid-19, permitiram "salvaguardar alguma atividade física e desportiva", mas pede apoios para o setor.

"A apreciação que tenho a fazer, em termos gerais, é que, num contexto de constrangimento que a vida social do país está a sofrer, foi possível salvaguardar alguma da atividade física e desportiva, designadamente, as atividades de treino de desportos individuais ao ar livre, bem como escalões profissionais e equiparados", explicou o líder do COP, José Manuel Constantino.

Recordando que atletas de alto rendimento, seleções nacionais, e as primeiras divisões sénior, masculinas e femininas, das diferentes modalidades, podem continuar em funcionamento, estima que "cerca de 18% da atividade desportiva do país" possa seguir em funcionamento.

"O que significa que a restante vai ficar parada. No contexto que estamos a viver, e as dificuldades que vivemos, reconheço que foi possível, apesar de tudo, salvaguardar um conjunto significativo de atividades", acrescentou.

Quanto aos impactos de dois confinamentos e várias restrições entre esses dois momentos mais duros, nos escalões de formação dos vários desportos, Constantino reforça que esses só serão notados "a médio e longo prazo".

"Tínhamos indicadores, antes de entrar nesta fase mais severa, de uma quebra muito significativa de filiações e de indicadores de prática desportiva. Um valor próximo dos 52%, sendo que na formação de modalidades coletivas de pavilhão, o valor aproximava-se dos 80%", reportou.

Assim, afirmou, a situação "já era muito dramática e agora vai agravar-se", com consequências "no risco de quebra da ligação à prática desportiva de muitas crianças e jovens", que também sofrem no âmbito do desenvolvimento desportivo, mas também para os clubes.

"Há um conjunto de efeitos que naturalmente são muito severos para todo o sistema desportivo", resumiu.

Para fazer face às dificuldades do setor, "já era necessária anteriormente uma injeção financeira que reforçasse a capacidade de perda de receitas que a generalidade do tecido associativo de base sofreu" e que agora se poderá "agravar".

O presidente do COP divide a resposta em "dois planos", um de ação imediata, ou seja, "uma resposta política que esteja associada a um reforço financeiro", que tem de "ser uma resposta do governo", e outra através do pacote de fundos europeus destinado a mitigar o impacto pandémico.

"Esta segunda linha não pode deixar de equacionar também o problema do sistema desportivo. Nesse sentido, devem conhecer os montantes disponibilizados, as regras de candidatura e acesso", defendeu.

Segundo as novas medidas, será permitido exercício individual ao ar livre, com ginásios e outros recintos desportivos encerrados, com seleções nacionais, primeiras divisões sénior e escalões profissionais e equiparados a manterem-se em funcionamento, mas sem público nas bancadas.

"Determina-se o encerramento de um alargado conjunto de instalações e estabelecimentos, incluindo atividades culturais e de lazer, atividades desportivas (salvo a prática de desportos individuais ao ar livre e atividades de treino e competitivas) e termas", pode ler-se no comunicado do Conselho de Ministros de quarta-feira.

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